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A Ponte da Perseverança! Coxipó – Grande Cristo Rei

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Por Carlos Brito* – O título deste texto traduz o meu sentimento em relação à conquista da nova ponte ligando o Coxipó ao Grande Cristo Rei, pois é a concretização de um sonho de duas décadas de luta na lide comunitária e nos cargos públicos que ocupei, sempre sustentado com dificuldade e até enfrentando a descrença de alguns quanto à sua possibilidade real.

Nesse tempo foram vários os percalços, o que me faz grato àqueles que, engajados na causa, perseveraram juntos.

Entendo que todas as pontes existem para ajudar a superar um obstáculo, ligar pontos e denota ousadia, daí o enunciado ‘Ponte da Perseverança’ porque, além do rio Cuiabá, foi preciso enfrentar outros desafios, como obter o convencimento político e governamental para a obra e a viabilização dos recursos para o seu custeio, ignorando o pessimismo e até a pouca vontade de uns.

Por esses motivos, agradeço ao governador Mauro Mendes e, com alegria, compartilho a retomada das obras de construção da ponte pelo governo do Estado, determinada ao secretário Marcelo Oliveira, da Secretaria de Estado de Infraestrutura – SINFRA. Essa decisão evidenciou o espírito público, a grandeza política e a responsabilidade da gestão do governante, assegurando o interesse da população.

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O prazo de execução da obra é de três anos e a ponte terá 420 metros de extensão, ligando as regiões sul de Cuiabá e leste de Várzea Grande.

Com o custo inicial em 39.285.953,47, além de recursos do Fethab, geridos pelo atual governo, a obra integra o programa Pro Concreto e obteve financiamento de parte dos recursos contratualizado junto ao Banco do Brasil no governo anterior, assim como a licitação e o início da obra, depois paralisada, naquele período.

Um fato interessante, é que em uma das oportunidades da luta, em 2014 e durante reunião no Parque Cuiabá com o então candidato a governador Pedro Taques, fui eu que entreguei a ele o cd com as informações do projeto da nova ponte, até então apenas desejo e muita esperança.

Com novas alternativas logísticas, econômicas e sociais, as populações dos bairros do entorno serão beneficiadas com a valorização imobiliária; com o fortalecimento da indústria, do comércio e do setor de serviços; ou mesmo com novos projetos habitacionais e de melhorias na infraestrutura daqueles existentes.

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Além do que já pontuei, a nova ponte, construída a partir dos bairros Parque Atalaia e Parque do Lago, vai otimizar e desafogar o trânsito de Cuiabá e de Várzea Grande, melhorando o acesso ao transporte, às unidades de educação e saúde, além de outros serviços públicos.

A título de exemplo, cito tornarem-se possíveis as ligações viárias desde a Av. das Torres até a Av. 31 de Março, junto ao aeroporto, bem como as ligações com a av. Fernando Correa e com a Av. da FEB, ambas margeando o rio.

Assim, perseverar é acreditar que o difícil não é impossível!

*Carlos Brito é gestor público e está secretário adjunto da Casa Civil. Líder comunitário. Foi vereador, deputado estadual, secretário de Estado e da Capital.

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ATÉ QUANDO O HORROR CONTRA A MULHER?

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O Brasil está na muito desonrosa posição de ser o quinto país do mundo em registros de feminicídios, o assassinato de mulheres por  serem mulheres, violência doméstica, discriminação de gênero, nomenclatura que desde 2015 nos ajuda a calcular esses números e índices, mas ainda não nos ajuda a mudar o quadro que visivelmente só piora. O primeiro semestre de 2019 marcou o aumento de 44% de aumento nos casos em comparação com o ano passado. Que que há?

MARLI GONÇALVES* – Joana correu para a porta para fugir e se livrar do agressor, o próprio marido, depois de se desvencilhar dele que já a agarrara pelos cabelos porque ao entrar em casa a encontrou falando ao telefone, baixinho, dando risadas. Ele não teve dúvidas, ela devia, só podia, estar falando com um amante, combinando algum encontro; e já chegou dando bordoadas. Joana não conseguiu sair. Foi morta a facadas ali mesmo, na soleira da porta de dentro de sua casa. A amiga com quem conversava ouviu tudo, o telefone largado na pressa, os gritos, os pedidos de socorro que não pode atender. Nada pode fazer a não ser testemunhar que minutos antes apenas tinha ligado para contar à Joana uma piada que ouvira, e antes que esquecesse o final, como sempre acontecia. Ela própria falava baixinho do outro lado da linha porque estava no trabalho e acredita que Joana sem perceber achou que também devia ficar falando baixinho…

Um grande amor sem fim, a paixão à primeira vista. Se conheceram e não mais se largaram. Ele, alguns anos mais velho, ela saberia que já tinha casado algumas vezes e tido sete filhos “por aí”. Mas isso ela soube mesmo só muito tempo depois. Ele era bem relacionado, estrangeiro, arrojado, o homem fascinante. E um dia deixou de ser.

Não demorou a aparecer o bicho peçonhento que deve estar por trás da violência e morte de tantas mulheres: o ciúme. Ciúme é doença, não tem nada de amor, tem tudo de desconfiança. Cresce, se espalha, domina o cérebro e os pensamentos, cria situações. Envenena. Faz perder a razão. Não há diálogo possível com os infectados, inclusive sejam eles homens ou mulheres.

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Valentina não podia olhar para o lado, onde ia era seguida, passou a viver como em uma prisão regime semiaberto. Ele buscava e levava ao trabalho; aliás, nenhum prestava; ninguém prestava. Foram meses com a violência só crescendo, e quando quis dar um fim ao namoro, ao que já não era nem de longe romance, só terror, viu sua vida ameaçada. Suas coisas – todas – roubadas, quebradas, atiradas pela janela, a porta derrubada a pontapés.

Valentina está viva para contar a história porque fez como se faz no cinema para se defender: a garrafa, batida, quebrada na ponta da mesa, caco afiado, para conseguir sair e pedir socorro à vizinha. Teve que gritar, bater na porta dela, que sim, ouvia a briga, mas nada tinha feito. Há algum tempo era ainda maior o número de pessoas que acreditavam que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Provérbio idiota. Mete-se, sim. A colher e o que mais for preciso. Chama-se a polícia.

A caminho do hospital, machucada, Valentina até viu os policiais que foram chamados: estavam às gargalhadas com o agressor. Anos mais tarde, me contou, recebeu o telefonema de uma mulher que lhe perguntava como havia sobrevivido. Estava grávida deste mesmo homem e temia pela sua vida e a do filho, vítima que estava sendo de violência, ameaças, ciúmes, o roteiro completo.

Todo dia sabemos de casos de mulheres violentadas, espancadas, mortas, muitas assassinadas junto aos filhos, das formas mais torpes. Tem o que mata e depois tenta forjar que foi suicídio. O que machuca e se arrepende e tenta socorrer, contando as mesmas mentiras com lágrimas de crocodilo, culpando a escada de onde ela teria caído sem querer, o escorregão no banheiro. Tem o que diz que “se ela não é minha não será de mas ninguém” – é o que joga ácido no rosto, mutila seus seios, quebra suas pernas. Alega que ambos estavam bêbados ou drogados ou “que foi ela que começou”.

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Antes que alcancemos o topo da lista mundial, o Brasil tem de mudar esse quadro, de incentivo à violência em várias áreas, inclusive na política e na liberação de armas. Tem de cuidar da proteção efetiva, que funcione não apenas em um papel com ordens judiciais que enfim não protegem ninguém. Não adianta nada vermos as lindas reportagens sobre patrulhas que sabemos que não existem na realidade para a população, principalmente a mais pobre e que mora em regiões mais afastadas. Botões que a mulher aperta sem parar e o pânico de se encontrar sozinha com seu algoz.

O medo e a violência contaminam o ao redor, de quem teme ou passa a temer até se aproximar, prestar ajuda nesses casos, e como vemos até hoje acontecer. A mulher demora – algumas, muitos anos – a conseguir se desvencilhar, acabam se afastando de todos, para não “provocar”, para que ninguém mais se machuque, nesse círculo alucinante e cruel.

Denuncie. Ligue 180. Ajude, se souber de alguém nessa situação terrivelmente solitária. Não são “companheiros”, nem “ex-companheiros ou ex-maridos” estes homens. São monstros, assassinos. Aliás, o pessoal do jornalismo do SBT/interior adotou como regra jamais usar a palavra companheiro nos casos que acompanham. Muito bem, uma coisa a ser feita, entre tantas que faltam.

*MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Lançamento oficial 20 de agosto, terça-feira, a partir das 19 horas na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, São Paulo, SP. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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