conecte-se conosco


ENERGIA

Carga de energia do Brasil recua para níveis de fim de semana

Publicado

Coronavírus levou ao fechamento temporário de vários negócios

A demanda por eletricidade, importante indicador da atividade econômica, iniciou a semana com forte baixa no Brasil, em meio a medidas de isolamento decretadas por governos contra o coronavírus que levaram ao fechamento temporário de diversos negócios, cortando a carga de energia a níveis geralmente vistos em sábados ou domingos.

Por  Luciano Costa – A carga, uma soma do consumo de energia com as perdas na rede, somou 61,7 gigawatts médios na terça-feira (24), cerca de 2,55% abaixo da estimativa inicial do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o dia. O volume ficou 15,9% abaixo do visto na terça-feira passada, antes que efeitos da pandemia sobre o consumo ficassem mais evidentes.

Com a entrada em vigor de uma quarentena decretada pelo governo de São Paulo, polo econômico do Brasil, a carga da terça-feira ainda ficou ligeiramente inferior à do último fim de semana anterior ao agravamento da crise do vírus, quando somou 67,7 gigawatts no sábado (22) e 61,9 gigawatts no domingo (21).

“Se você observa o comportamento da carga, nos fins de semana tem uma derrubada e quando chega na segunda-feira tem uma rampa muito alta (de retomada). Agora, você pega essa última semana e vê que a carga foi reduzindo, entrou no fim de semana reduzida e na segunda não subiu, não reagiu”, disse à Reuters o presidente da unidade de comercialização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Franklin Kelly Miguel.

“Isso demonstra que o consumo está em níveis típicos de um final de semana”, acrescentou ele.

A redução da atividade econômica com as medidas de isolamento, que têm sido adotadas em todo o mundo para reduzir a velocidade de propagação do coronavírus, tem gerado preocupação no presidente Jair Bolsonaro, que passou a defender uma retomada da “normalidade” e o isolamento apenas de pessoas com perfil de risco.

Leia mais:  O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

Governadores, no entanto, têm rebatido o presidente e sinalizado por ora a manutenção das quarentenas, que determinam o fechamento de diversas lojas, shoppings e outras atividades consideradas não essenciais.

O funcionamento de indústrias em geral não tem sido alvo de restrições, mas muitas anunciaram paralisação de atividades e dispensa temporária de funcionários devido à menor demanda ou por problemas com a cadeia de suprimento em meio à pandemia.

Por outro lado, muitas empresas colocaram funcionários para trabalhar de casa, o que aumenta o consumo de energia residencial.

“A carga comercial vai ter um impacto maior porque, de um modo geral, foi demandado pelos governos que fechassem, então não tem jeito. A indústria de certa forma tem redução um pouco menor, mas tem. Vai ter um aumento do consumo da classe residencial, mas não vai compensar”, disse o CEO da Copel Energia.

O presidente da comercializadora de eletricidade Focus Energia, Alan Zelazo, estimou um mergulho da ordem de 10 gigawatts médios na demanda desde as medidas mais restritivas contra o vírus, mas afirmou que a queda ainda pode se aprofundar.

“Isso é praticamente uma Itapu”, afirmou, em referência à produção da hidrelétrica binacional na fronteira com o Paraguai, a maior usina do mundo em geração de energia. “E na minha opinião a gente ainda não viu alguns setores fechando a porta, ainda não impactou totalmente. Por enquanto (as medidas de governos) fecharam o comércio e nem em todas cidades”, apontou Zelazo.

Leia mais:  O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

Ele disse que já foi possível perceber recuo de cerca de 20% na demanda do setor de shoppings, que deverá cair ainda mais, para baixa de cerca de 70% devido a novos vetos à abertura dos centros comerciais em diversos estados e cidades.

“Acredito que os shoppings sejam os mais afetados… por outro lado, alguns setores não param. Para você ter uma ideia, temos clientes que são hospitais e supermercados e eles estão consumindo de 10% a 15% mais”, acrescentou.

Queda gradual

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontou que começou a ver leve retração no consumo de energia em geral a partir da terça-feira passada, quando houve queda de 0,7% ante a semana anterior, com uma aceleração do movimento de baixa nos dias seguintes.

Na última segunda-feira (23), a carga média de energia às 9 h, quando a demanda geralmente cresce rapidamente devido à abertura de lojas e empresas, ficou 18,6% abaixo da vista no mesmo horário da semana anterior.

Às 14h, quando também costuma haver picos de consumo devido ao uso de aparelhos de ar-condicionado em escritórios e edifícios comerciais, a redução era de 18,8% na comparação semanal.

“Os índices refletem uma tendência de queda mais acentuada do consumo de energia elétrica nos próximos dias”, disse em nota o presidente do conselho da CCEE, Rui Altieri.

Na primeira quinzena de março, antes do agravamento das preocupações com o coronavírus, o consumo de energia no Brasil apontava leve alta de 0,4% ante mesmo período do ano passado, segundo a CCEE.

Comentários Facebook

ENERGIA

O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

Publicado

por

Medida vigora enquanto durar estado de calamidade pública

 Já está valendo a determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) regulamentando a redução no horário de funcionamento dos postos de combustíveis e os de revendas gás liquefeito de petróleo (GLP). Os  revendedores de combustíveis automotivos em todo o país passam a funcionar, no mínimo, de segunda-feira a sábado, das 7h às 19h. Até então, o horário mínimo de funcionamento era das 6h às 20h. A medida foi publicada ontem (23) no Diário Oficial da União (DOU) e foi tomada em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Por Luciano Nascimento – “As medidas reforçam o cuidado com a garantia do abastecimento nacional e flexibilizam algumas obrigações, entre elas o horário de funcionamento dos postos de combustíveis”, informou a agência.

A resolução determina ainda que os representantes dos operadores de terminais e dutos de petróleo, dos transportadores de gás natural, distribuidores de GLP, de postos revendedores de combustíveis automotivos deverão informar à ANP “quaisquer alterações nas rotinas operacionais que possam comprometer total ou parcialmente o abastecimento nacional”.

Leia mais:  O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

A ANP disse que aqueles revendedores que quiserem funcionar em horário inferior ao horário indicado poderão fazê-lo, desde que tenham feito solicitação prévia e sejam autorizados pela agência reguladora.

Segundo a agência, as medidas buscam reduzir o risco de propagação do novo coronavírus e irão valer enquanto durar a situação de emergência em saúde de calamidade pública em virtude do vírus.

Edição: Fernando Fraga

Comentários Facebook
Continue lendo

Economia & Finanças

Coronavírus afeta variação nos preços do barril de petróleo no mundo

Publicado

por

Oferta vem crescendo mais que demanda, diz pesquisador

 A turbulência dos preços do barril do petróleo esta semana é uma consequência de um cenário que vem se construindo desde meados do ano passado, embora não com a velocidade e a violência que se nota agora, a partir da pandemia do coronavírus. A análise foi feita à Agência Brasil pelo pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Henrique Jager.

 Por Alana Gandra – “Desde meados do ano passado, o preço do barril do petróleo vem se apresentando com alta volatilidade e uma tendência de queda, por conta de uma percepção do mercado de que a oferta estava crescendo em um ritmo maior do que a demanda”, disse o pesquisador.

Segundo pesquisador, esse movimento pode ser atribuído ao incremento da pesquisa e exploração do petróleo ocorrido entre 2005/2008, levando o preço do barril do produto a atingir, em 2010, perto de US$ 140. A consequência foi o aumento na oferta.

China

Outro fator que impactou no mercado internacional de petróleo foi a China, grande importadora de petróleo no mundo, cuja economia vinha evoluindo à taxa de 9% ou 10% ao ano e reduziu para 5% a 6% ao ano. “E agora, com o coronavírus, no primeiro trimestre de 2020, as estimativas são de redução da ordem de 20% no consumo do maior importador de petróleo”. Jager acrescentou que, no Japão, a redução da demanda no curto prazo deve alcançar quase 10%. “Claro que isso tem impacto no preço”, afirmou.

A Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) tentou fazer uma redução na produção, mas não conseguiu fechar um acordo nesse sentido nem dentro da própria entidade nem, principalmente, entre a Rússia e a Arábia Saudita, que são os dois grandes exportadores mundiais de petróleo. Sem acordo, a Arábia Saudita decidiu manter a decisão de aumentar a produção. “E os preços despencaram de uma hora para a outra, por falta desse acordo entre Arábia Saudita e a Rússia”.

Como os preços já vinham caindo neste primeiro trimestre do ano em curso, a tendência de queda se acentuou na última semana devido à crise do coronavírus e, também, pela leitura de uma oferta maior que a demanda. Segundo analisou o pesquisador do INEEP, trata-se de uma questão conjuntural “porque o coronavírus vai passar”.

Leia mais:  O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

Henrique Jager disse que, de modo geral, há a percepção de que os preços vão recuperar parte da perda no médio prazo. “Mas, no longo prazo, os preços devem se manter com uma volatilidade grande”. Ontem à tarde, o valor do barril estava em US$ 36,17 (- 2,9%) para o petróleo tipo Brent e US$ 33,36 (- 2,9%) o petróleo WTI. O petróleo WTI (‘West Texas Intermediate’) é o comercializado na Bolsa de Nova York e referente ao produto extraído principalmente na região do Golfo do México. Já o Brent é comercializado na Bolsa de Londres e tem como referência o petróleo extraído no Mar do Norte e no Oriente Médio. A expectativa é que os preços do barril não retomem o patamar de meados do ano passado, da ordem de US$ 60 a US$ 70, e fiquem em torno de US$ 50, considerando uma recuperação rápida da economia da China, “o que a gente não vislumbra”.

Recessão

De acordo com o pesquisador, isso vai depender muito do ritmo de retomada das demais economias do mundo. Destacou que a crise do coronavírus está saindo da China e entrando de forma muito pesada na Europa e Estados Unidos. Henrique Jager avaliou que como as empresas de energia têm peso grande na taxa de investimento da economia norte-americana, a redução do preço do petróleo vai diminuir o capital disponível para investimento e isso vai ter impacto forte na economia como um todo daquele país. Alguns economistas já começam a apontar que o risco de recessão para a economia americana é muito grande.

“As empresas de petróleo vão ter dificuldade para pagar suas dívidas e, consequentemente, vão diminuir suas taxas de investimento”. Como o setor de energia é muito importante para os Estados Unidos, a possibilidade é haver grande impacto na economia americana como um todo nos próximos meses. “Você tem impacto por um lado, porque a economia para, por causa da doença, mas isso pode se estender a depender disso (vírus), porque você vai descapitalizar as empresas de petróleo, que têm um peso importante na economia americana”.

Leia mais:  O novo horário de funcionamento de postos de combustíveis está em vigor

Brasil

O cenário pode ser aplicado também no Brasil, no caso da Petrobras, analisou o pesquisador do INEEP. “Se o preço ficar na casa dos US$ 30 por muitos meses, isso vai afetar muito fortemente a Petrobras”, afirmou. Indicou que a estratégia que a Petrobras vem adotando nos últimos dois a três anos de concentrar as atividades em exploração e produção (E&P), vai contra a posição de ser uma empresa verticalizada, atuando em vários setores da economia, como ocorria até então.

Como o petróleo é o principal produto da empresa, a queda do preço internacional tem impacto negativo sobre a companhia. “Como você está focando todo o seu esforço em E&P, acaba ficando mais fragilizada do que as demais companhias de petróleo”, disse Jager. Esclareceu que as grandes companhias internacionais têm um peso grande no petróleo, mas atuam também na petroquímica, no refino, em logística, na busca de energias alternativas, por exemplo. E a Petrobras está se desfazendo de todas as suas empresas nessas áreas, bem como na distribuição, explicou.

Jager disse que se o preço do barril do petróleo cai muito, o preço do produto na bomba de gasolina não cai, porque a empresa não repassa toda a queda. O mesmo ocorre em um cenário de alta do preço. Nesses casos, os setores de refino e petroquímica atuam como fatores anticíclicos, ou seja, quando o preço do barril do petróleo cai, os preços destes produtos caem menos, ajudando a preservar a margem de lucro da empresa, e vice-versa. Ao se desfazer de participação nesses setores, a Petrobras está aumentando sua fragilidade no quadro internacional de baixa de preço do barril do petróleo que está apontado no horizonte de curto e médio prazo.

*Matéria alterada às 12h13 para correção de informação no quarto parágrafo. A redução da demanda no curto prazo, no Japão, deve alcançar quase 10%, e não 22%, como informado inicialmente.

Edição: Valéria Aguiar

Comentários Facebook
Continue lendo

Segurança

MT

Brasil

Economia & Finanças

Mais Lidas da Semana





Copyright © 2018 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262