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Economia

'Desarmamos a caminhada rumo ao suicídio'

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O Brasil desarmou a “caminhada rumo ao suicídio” ao mudar a condução da política econômica no ano passado, com o começo do governo de Michel Temer. Agora, é preciso preservar o que já foi conquistado e evitar voltar a velhos erros, avalia o economista e ex-diretor de Política Internacional do Banco Central, Beny Parnes, sócio da gestora SPX Capital. No momento em que se discute se o Brasil pode ter um terceiro presidente em pouco mais de um ano, o executivo avalia que a agenda de reformas estruturais não deve ser pauta de um ou outro governo, mas do Estado, da nação. Leia a seguir trechos da entrevista.
A economia tem mostrado certa resistência à piora da política A crise em Brasília pode afetar a atividade?

Quanto mais a incerteza se prolongar, pior. Aumentos de incerteza afetam especialmente as decisões de investimento, e tivemos um aumento enorme. Isso nos fez rever a previsão de crescimento para este ano. Começamos projetando 0,5% de expansão, revisamos para 0,6%, porque os dados do primeiro trimestre vieram um pouco melhores que o esperado, mas agora fizemos nova revisão, para crescimento de 0,2% em 2017. Em 2018, a previsão é de alta de 2%. Chegamos a prever 2,7%, mas temos de levar em conta que em torno dessa projeção há incerteza muito grande. Vai ser um ano de eleições e não é uma eleição fácil de prever.
Há risco de o País voltar a ter recessão?
Riscos sempre existem, mas esse ano acho difícil, porque a economia já fez um ajuste grande, estava com base muito deprimida. Tem coisas que incomodam, como o gap do produto, que é a diferença entre o que o Brasil pode produzir e está produzindo. Esse gap está em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e, pelos nossos modelos, deveria estar em 3%. O Brasil está produzindo muito menos do que poderia produzir e isto está persistindo, como se tivesse uma força da gravidade atraindo para baixo a economia brasileira, que é a incerteza política, o choque fiscal, as despesas reais dos Estados, as empresas endividadas, o consumidor está ressabiado.
Como vê a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumir a presidência da República?
Vejo um certo consenso em torno da necessidade de aprovar as reformas. Queria também destacar a qualidade da condução da política fiscal e monetária. Você compara com o que fazíamos há dois anos, estávamos jogando roleta russa e botando a cada dia uma bala a mais no tambor. Desarmamos essa rota em termos de política econômica, essa caminhada rumo ao suicídio. Agora é preservar esses valores. Isso é um patrimônio da nação, não é uma coisa de governo, é coisa de Estado.
Como avalia a resistência do setor privado à nova taxa de juros de longo prazo, a TLP?
É urgente e importante aprovar a TLP, que vai acabar com subsídios que geram má alocação de recursos, que geram uma renda indevida, no sentido econômico. É uma distribuição perversa de renda e, como é um crédito subsidiado, gera inevitavelmente má alocação de recursos e obviamente também impede o desenvolvimento do mercado privado. A taxa atual (a TJLP) tem duplo efeito perverso. Além de custar subsídios ao Tesouro, que todos nós pagamos, no equilíbrio ela resulta em taxa de juros maior, diminui a potência da política monetária. Não aprovar a TLP seria regredir, um sinal péssimo para o mercado. Claro que tem resistência, todo mundo que recebe um subsídio, um dinheiro abaixo do custo de mercado vai reclamar, porque quer continuar recebendo. É uma transferência de renda que tem que cessar.
A reforma trabalhista pode ajudar a gerar emprego?
O Brasil concentra mais de 90% das ações trabalhistas no mundo e precisamos modernizar o País. Não há dúvida que a reforma tem impacto positivo na geração de emprego. A economia tem alguns resultados que são meio incontestáveis, esse é um deles. Quanto mais flexível a economia, mais rápido ela caminha para o pleno emprego.
Qual a perspectiva para aprovar a reforma da Previdência? 
Também é uma questão urgente e importante, mas sou realista. Acho que essa discussão hoje, infelizmente, vai ficar um pouco para depois, mas espero que seja retomada o quanto antes. A reforma é a única maneira de reequilibrar as contas públicas. É uma condição necessária, mas não suficiente. É óbvio que do jeito que foi proposta, e não estou criticando, estou elogiando, ela só faria efeitos em dois anos, aproximadamente. Mas antes tarde do que nunca.
O Brasil pode ficar insolvente?
Estamos longe disso. A situação fiscal do Brasil é apertada, o País certamente está em uma trajetória de dívida que, no médio prazo, não é sustentável. Mas não quer dizer que a economia brasileira está condenada a ter uma dívida insustentável e nem a baixas taxas de crescimento. É fazer as reformas, manter a política econômica sendo bem conduzida, da maneira que está sendo conduzida agora, com pessoas competentes. Não estamos condenados à estagnação.
O BC vai conseguir reduzir os juros até que patamar? 
Achamos que tem até espaço para cair abaixo de 8%. Nos nossos exercícios, com uma Selic de 8% vigente até o fim do ano que vem, geraríamos uma inflação de 3,2% este ano e 4% em 2018, com uma taxa de câmbio de R$ 3,40 este ano e R$ 3,50 no próximo. Cair abaixo de 8% vai depender das condições da economia (hiato do produto, inflação, que se correlaciona ao câmbio) e, mais importante, das expectativas.
Os estrangeiros estão mais otimistas que os investidores brasileiros? 
Isso é normal. Para eles, o Brasil é apenas mais um país. Para nós, isso aqui é nossa vida.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por Altamiro Silva Junior

Agência Estado

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Economia

Governo vai lançar novo programa habitacional

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Meta é apoiar fortemente os municípios para a regularização fundiária

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse hoje (21) que, na próxima semana, o governo federal vai lançar um novo programa de habitação popular e que pretende “apoiar fortemente” os municípios para a regularização fundiária de suas áreas. “Nós precisamos atacar uma situação que é muito ruim, metade da população brasileira que mora em habitações no país não tem a escritura pública”, disse.

Por Andreia Verdélio – Hoje, o governo atua por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, em parceria com a Caixa Econômica Federal, e atende famílias de diversas faixas de renda, com diferentes modalidades de contratação e recursos oriundos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo.

Marinho participou hoje (21), ao lado do presidente Jair Bolsonaro, da entrega de 300 moradias a famílias de baixa renda de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em um conjunto habitacional que leva o mesmo nome do município. Os investimentos da União na construção das residências somam R$ 18,3 milhões e vão beneficiar mais de 1,2 mil pessoas.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, são 19 blocos de apartamentos no Residencial Mossoró I. As moradias têm 39,05 m², possuem valor médio de R$ 61 mil e estão divididas em dois quartos, cozinha, área de serviço, sala e banheiro. Todas as unidades podem receber pessoas com deficiência, sendo que 13 delas já estão adaptadas.

Outras 600 unidades no mesmo residencial devem ser entregues nos próximos meses, as etapas II e III têm cerca de 95% das obras executadas. No total, para os 900 apartamentos, o investimento federal é de R$ 54,9 milhões e atenderá mais de 3,6 mil pessoas.

Edição: Valéria Aguiar

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Economia

Bolsonaro: não existe tentativa de furar o teto de gastos

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 Presidente falou em ampliar recursos para conclusão de obras

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira (13) a realização de investimentos públicos em áreas sociais e obras de infraestrutura, mas disse que não existe tentativa de “golpe” para “furar o teto”.  A declaração foi dada durante sua live semanal nas redes sociais. 

Da ABr – “O pessoal vem como se tivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção é de arranjar a mais, em média, R$ 20 bilhões. É água no Nordeste, é saneamento, é revitalização de rios, é Minha Casa Minha Vida”, ressaltou.

Também durante a live, Bolsonaro disse que integrantes do governo debatem mudanças na regra do teto de gastos para que seja possível ampliar recursos para conclusão de obras.

“A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual é o problema? Na pandemia, temos a PEC de Guerra, nós já furamos o teto em mais ou menos R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões? Se a justificativa for para o vírus, sem problema nenhum. ‘Ah, nós entendemos que água é para essa mesma finalidade’. E a gente pergunta: ‘E daí? Já gastamos R$ 700 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bi ou não?'”, disse o presidente.

Ontem (12), Bolsonaro fez uma declaração em defesa da emenda do teto de gastos públicos e de uma agenda de responsabilidade fiscal. Ele estava acompanhado pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também endossaram os temas.

Aprovada em 2016, a Emenda Constitucional nº 95, que ficou conhecida como PEC do Teto de Gastos, estabeleceu uma limitação para o crescimento dos gastos públicos, que só devem ser reajustados pela inflação ao longo de 20 anos.

Edição: Fábio Massalli

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