conecte-se conosco


Economia & Finanças

Dívida Pública Federal alcança R$ 5,059 trilhões em janeiro

Publicado

Reserva de liquidez de R$ 805,68 bilhões é suficiente para honrar seis meses de vencimentos

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) — que abrange as dívidas interna e externa — chegou a R$ 5,059 trilhões em janeiro, o que representa alta de 0,99% (R$ 49,75 bilhões) em relação à marca de R$ 5,009 trilhões registrada em dezembro.

Economia – A informação faz parte do Relatório Mensal da Dívida Pública, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) em entrevista coletiva virtual nesta quarta-feira (24/02). A variação do estoque da DPF no mês é explicada pela emissão líquida de R$ 6,81 bilhões e pela apropriação positiva de juros de R$ 42,94 bilhões.

Acesse o Relatório Mensal da Dívida (RMD) – Janeiro de 2021 

O cenário de volatilidade no início de 2021, em especial próximo ao final de janeiro, com deterioração nos cenários externo e doméstico, gerou impactos nos números da dívida no período, explicou o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública do Tesouro, Luis Felipe Vital Nunes Pereira.

Segundo explicou Vital, no cenário externo o principal ponto de pressão foi a descoberta de variantes da Covid-19, o que voltou a trazer apreensão aos mercados. No cenário interno, reações às expectativas em relação à Política Monetária e às discussões sobre a prorrogação do auxílio emergencial e seu impacto nas contas públicas levaram à alta da curva de juros.

A equipe do Tesouro destacou que, em janeiro, houve piora na percepção de risco de países emergentes de forma geral no início de 2021, com o CDS [Credit Default Swap] brasileiro de cinco anos subindo de 140 pontos, no final de 2020, para 174 pontos, em janeiro deste ano. “O CDS aumentou não só para o Brasil, mas para toda a classe dos emergentes”, destacou Vital.

Com relação ao estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe), houve redução da participação de títulos prefixados (de 34,2% para 33,7%) e atrelados ao câmbio devido principalmente aos seus resgates líquidos (R$ 43,2 bilhões e R$ 18,55 bilhões, respectivamente).

Emissões e resgates

Em janeiro, as emissões da Dívida Pública Federal corresponderam a R$ 155,35 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 148,54 bilhões. Isso resultou em emissão líquida de R$ 6,81 bilhões, sendo R$ 25,41 bilhões referentes à emissão líquida da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) e R$ 18,60 bilhões, ao resgate líquido da Dívida Pública Federal externa (DPFe). Pela primeira vez na série histórica houve emissão líquida no mês de janeiro, que tipicamente concentra volumes maiores de vencimentos. Nas emissões da DPMFi, destaque para os títulos prefixados (R$ 80,98 bilhões, ou seja, 52,1% do montante emitido).

Vital ressaltou que houve aumento do prazo médio da DPF de 3, 57 anos, em dezembro, para 3,61 anos, em janeiro. Ele explicou que em 2020 o Tesouro precisou aumentar o volume de captação em um momento no qual o mercado demandava títulos mais curtos. “A medida que as condições de mercado vão melhorando, o Tesouro consegue colocar títulos mais longos”, explicou o coordenador, ao apontar a mudança de cenário neste início do ano.

Indicadores

O custo médio acumulado nos últimos 12 meses da DPF apresentou redução: caiu de 8,37% ao ano, em dezembro, para 8,29% ao ano, em janeiro. O custo médio do estoque da DPMFi acumulado em 12 meses também apresentou retração: caiu de 7,27% ao ano, em dezembro, para 7,15% ao ano, em janeiro.

Destaque em janeiro foi a queda no custo médio do estoque da DPF (de 8.37% para 8.29% ao ano) e da DPMFi (de 7.27% para 7.15% ao ano) ambos no menor nível da série histórica, iniciada em dezembro de 2005.

A reserva de liquidez apresentou redução, em termos nominais, de 8,58%. Passou de R$ 881,28 bilhões, em dezembro, para R$ 805,68 bilhões, em janeiro. Em relação a janeiro de 2020 (R$ 740,23 bilhões), houve um aumento, em termos nominais, de 8,84%. “Número suficiente para os vencimentos de mais de seis meses à frente, de maturação da dívida. Isso significa que se o Tesouro não realizasse nenhuma emissão, hipotético, teria dinheiro para pagar seis meses da dívida”, explicou Vital.

Tesouro Direto

O Programa Tesouro Direto registrou vendas de R$ 2,29 bilhões e resgates de R$ 3,03 bilhões, o que gerou resgate líquido de R$ 730 milhões em janeiro. O título mais demandado foi o Tesouro Selic (34,44%). No mês passado, o estoque do Tesouro Direto chegou a R$ 62,51 bilhões, o que representa redução de 0,31% em relação a dezembro. Os títulos indexados à inflação representam 51,57% do estoque do programa.


Acompanhe a coletiva do Relatório Mensal da Dívida (RMD) – Janeiro de 2021

Comentários Facebook

Economia & Finanças

Receita Federal adia pagamento do Simples Nacional em três meses

Publicado

por

Parcelas voltarão a ser pagas em julho em seis prestações

Os micro e pequenos empresários e os microempreendedores individuais (MEI) deixarão de pagar as parcelas do Simples Nacional pelos próximos três meses, de abril a junho, anunciou há pouco o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto. A medida foi decidida hoje (24) em reunião extraordinária do Comitê Gestor do Simples Nacional.

Por Wellton Máximo – De julho a dezembro, os tributos que deixaram de ser recolhidos serão pagos em seis prestações. A medida, informou Tostes Neto, ajudará 5,5 milhões de micro e pequenas empresas e 11,8 milhões de MEI e envolverá a postergação do pagamento de R$ 27,8 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais.

A medida será publicada no Diário Oficial da União de amanhã (25). Segundo Tostes Neto, o adiamento beneficiará segmentos da economia que mais geram empregos em meio ao agravamento da pandemia de covid-19.

“Com esse diferimento, estamos adotando uma medida de alívio para dar fôlego a esse universo de contribuintes ter melhores condições de ultrapassar esse período mais crítico em que os impactos econômicos e da pandemia se fazem sentir principalmente nos negócios que estão fechados e sem a possibilidade de geração de receitas”, declarou.

Imposto de Renda

O secretário da Receita ressaltou que, por enquanto, o Fisco não pensa em adiar o prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, como ocorreu no ano passado. Segundo Tostes, o volume de entregas está superior ao registrado no mesmo período de 2020 e acima da expectativa, o que dá tempo para a Receita avaliar se há a necessidade de mudar a data.

“No caso das declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, fazemos o monitoramento diário. Os números de hoje indicam a entrega, até o momento, de 7,826 milhões de declarações. No mesmo período do ano passado, tínhamos recebido 5,7 milhões. Os números estão até acima da expectativa. O prazo regular vai até 30 de abril. Então, temos tempo de avaliar se há a necessidade ou não de prorrogação”, disse Tostes Neto.

Edição: Nádia Franco

Comentários Facebook
Continue lendo

Economia & Finanças

Copom eleva a taxa Selic para 2,75% a.a.

Publicado

por

Em sua 237ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 2,75% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano. A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nessas economias têm produzido uma reprecificação nos ativos financeiros, o que pode tornar o ambiente desafiador para economias emergentes;

 

  • Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes, em particular a divulgação do PIB do quarto trimestre, continuaram indicando recuperação consistente da economia, a despeito da redução dos programas de recomposição de renda. Essas leituras, entretanto, ainda não contemplam os possíveis efeitos do recente aumento no número de casos de Covid-19. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro e segundo trimestres deste ano;

 

  • A continuidade da recente elevação no preço de commodities internacionais em moeda local tem afetado a inflação corrente e causou elevação adicional das projeções para os próximos meses, especialmente através de seus efeitos sobre os preços dos combustíveis. Apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se em níveis acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

 

  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6%, 3,5% e 3,25%, respectivamente; e

 

  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de R$5,70/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 4,50% a.a. neste ano e para 5,50% a.a. em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 9,5% para 2021 e 4,4% para 2022.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado.

Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 2,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022.

Os membros do Copom consideram que o cenário atual já não prescreve um grau de estímulo extraordinário. O PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de política monetária. Adicionalmente, houve elevação das projeções de inflação para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021.

Por conseguinte, o Copom decidiu iniciar um processo de normalização parcial, reduzindo o grau extraordinário do estímulo monetário. Por todos os fatores enumerados anteriormente, o Comitê julgou adequado um ajuste de 0,75 ponto percentual na taxa Selic. Na avaliação do Comitê, uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos. Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social.

Para a próxima reunião, a menos de uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão para a próxima reunião continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.

Do BACEN

Comentários Facebook
Continue lendo

Segurança

MT

Brasil

Economia & Finanças

Mais Lidas da Semana





Copyright © 2018 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262