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Agronegócios

Pecuária: Comunidade Européia já admite rever regras

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Depois de apontar falhas no processo de implantação do modelo de rastreamento do gado e de suspender por algumas semanas as importações de carne bovina in natura fornecida pelo Brasil, o diretor de Saúde e Bem-Estar Animal da União Européia (UE), Bernard Van Goethem, sinalizou ontem que o bloco pode rediscutir no futuro as regras de rastreabilidade exigidas do Brasil.
O governo russo deve publicar essa semana uma lista com 30 empresas brasileiras que serão autorizadas a retomar as exportações de carne bovina para aquele país.
ALTERNATIVAS
Sem citar quais seriam as alternativas, ele deixou claro, no entanto, que os países do bloco não abrem mão dos respectivos prazos de 40 e 90 dias para permanência dos animais na área habilitada e na última propriedade antes do abate. A permanência, disse ele, garante a segurança alimentar da carne, condição para venda de alimentos para os países da UE.
A idéia de um modelo de rastreabilidade mais flexível tem sido defendida pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Ontem, após reunir-se com o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, Van Goethem mostrou-se surpreso com os questionamentos dos jornalistas sobre a mudança desejada por Stephanes.
NOTA
O assunto não foi tratado ontem. Em nota, Stephanes disse que, antes de tudo, o objetivo do ministério é “readquirir a confiança do bloco europeu no trabalho sanitário desenvolvido pelo Brasil”. Ele lembrou ainda que as regras em vigor, classificadas como inexeqüíveis pela iniciativa privada, precisam ser cumpridas. “É necessário destacar que, se assumimos regras, temos que cumpri-las e se tivermos dificuldades em alguns pontos, eles deverão ser negociados”, avaliou.
Van Goethem lembrou que os europeus exigem do Brasil “apenas” a rastreabilidade da carne, procedimento mais flexível se comparado às normas aplicadas aos alimentos produzidos no bloco, entre eles leite e queijo. Sempre ressaltando que o rastreamento é fundamental para garantir a “segurança dos alimentos”, o diretor lembrou que uma auditoria feita no ano passado por técnicos europeus apontou falhas no sistema de identificação dos animais, no registro de propriedades e no controle do trânsito dos rebanhos.
“SÉRIAS DEFICIÊNCIAS”
Segundo ele, diante dessas “sérias deficiências” a UE decidiu limitar as compras de carne às fazendas que satisfazem os requisitos do bloco. Atualmente, 95 fazendas podem vender para a UE, lista que poderá ser ampliada após novas auditorias que serão feitas pelos técnicos dos governos estaduais e do ministério. Em relação ao preço da carne no mercado europeu, que teria, segundo analistas brasileiros, subido devido à restrição imposta ao Brasil, o diretor disse que “a questão dos preços não está sendo considerada já que o foco é a segurança alimentar”.
RÚSSIA
O governo russo deve publicar essa semana uma lista com 30 empresas brasileiras que serão autorizadas a retomar as exportações de carne bovina para aquele país. Os frigoríficos e empresas de armazenagem estão nos Estados embargados (SP, MS e PR) pela Rússia, mas já teriam atendido todas as reivindicações de Moscou sobre os problemas sanitários identificados.
Segundo Antônio Jorge Camardelli, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as indústrias russas estariam aguardando a publicação da lista por parte do governo russo para retomar as compras. “Essa era uma medida já esperada e é resultado do processo que vinha se desenrolando desde o começo do ano”, afirma Camardelli.
Até esta terça-feira o Ministério da Agricultura brasileiro ainda não tinha sido informado oficialmente sobre a decisão russa, mas informações internas da pasta dão conta de que o governo brasileiro havia pedido uma atualização das empresas habilitadas a exportar. Fontes do governo disseram que dentro dessa atualização estaria a inclusão dessas novas empresas de Estados até então embargados.
Do ponto de vista de mercado, a medida fará com que as empresas possam distribuir melhor suas exportações entre outras praças. No caso do Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde a disponibilidade de animais está um pouco maior, as os frigoríficos autorizados poderão melhorar as escalas de abate, que ainda seguem apertadas. “Os preços não devem sofrer grandes variações, já que o mercado aguardava essa retomada das importações russas a qualquer momento. O mercado já havia precificado esse fato e por isso o impacto, se houver, será pequeno”, disse um corretor de São Paulo.
Fonte: Agência Estado

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Agronegócios

Partido questiona possibilidade de liberação automática de registro de agrotóxicos

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O partido pede a concessão de liminar para suspender itens da Portaria 43/2020 do ministério.

O partido Rede Sustentabilidade ajuizou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 656) no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede liminar para suspender itens da Portaria 43/2020 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que estabelecem os prazos para fins de aprovação tácita de atos públicos de liberação de registro de fertilizantes e agrotóxicos. O ministro Ricardo Lewandowski é o relator da ação.

Do STF – A norma estabelece que, ultrapassado o prazo estabelecido, a ausência de manifestação conclusiva da Secretaria de Defesa Agropecuária acerca do deferimento do ato público de liberação requerido implicará sua aprovação tácita. O prazo para a manifestação da autoridade sobre o registro de fertilizantes é de 180 dias. Para aprovação automática de agrotóxicos e afins, o prazo é de 60 dias.

A Rede sustenta que, a pretexto de regulamentar a Lei de Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019) no âmbito do ministério, a portaria acabou criando um mecanismo de liberação tácita de agrotóxicos e de outros químicos extremamente perigosos à saúde humana e ao maio ambiente. Segundo a legenda, ao facilitar o processo de registro desses produtos, o Mapa desconsidera que a saúde é direito de todos e dever do Estado e deve ser garantido por meio de políticas sociais que visem à redução do risco de doença e de outros agravos. Além disso, o partido sustenta que a norma viola o direito ao meio ambiente equilibrado. “Ao permitir a liberação tácita de agrotóxicos e químicos semelhantes, acaba esvaziando qualquer pretensão de Estados, Distrito Federal e Municípios de promoverem a proteção ambiental e a preservação de fauna e flora”, afirma.

Ainda de acordo com a Rede, a Lei de Liberdade Econômica explicita que não se deve cogitar da possibilidade de liberação tácita quando a decisão resultar em compromisso financeiro da administração pública. Para o partido, a liberação prevista na portaria do ministério gera mais ônus do que benefícios econômico-financeiros, tendo em vista, entre outros aspectos, o impacto direto nos gastos com saúde pública.

SP/AS//CF

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Agronegócios

Câmara dos Deputados prossegue nesta terça votação de MP sobre crédito rural

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O Plenário da Câmara dos Deputados votou e rejeitou, nesta segunda-feira (17), dois destaques apresentados à Medida Provisória 897/19 (MP do Agro), que prevê várias mudanças relacionadas ao crédito rural. Os demais destaques apresentados pelos partidos ao texto do relator, deputado Pedro Lupion (DEM-PR), continuam a ser analisados a partir desta terça-feira (18), em sessão marcada para as 13h55.

Da Agência Câmara – O primeiro destaque rejeitado, do PCdoB, pretendia retirar dispositivo do texto que permite ao credor transferir imediatamente a propriedade dada em garantia se o título emitido e vinculado ao empréstimo não for quitado no prazo. O destaque foi rejeitado por 271 votos a 67.

Já o segundo destaque rejeitado, do PT, tentava excluir a possibilidade prevista na MP de estender a bancos privados os subsídios ao crédito rural atualmente concedidos por meio de bancos públicos. Esse destaque foi rejeitado por 315 votos a 53.

Principais pontos
A MP prevê, entre outros pontos, um fundo de garantia para empréstimos, linhas de subvenção para construção de armazéns de cereais e aperfeiçoamento de regras de títulos rurais.

De acordo com o projeto de lei de conversão, não haverá limite para a participação de produtores rurais no fundo, que contará ainda com cotas dos credores. Poderá haver vários fundos, chamados de Fundos Garantidores Solidários (FGS), contanto que cada um deles tenha um mínimo de dois devedores, contribuindo com 4% dos saldos devedores.

Igual percentual incidirá para os credores. Caso exista um garantidor da dívida (um banco, por exemplo), sua contribuição será de 2% do saldo devedor.

A perspectiva do governo é estimular a concessão de créditos por bancos privados devido a uma maior garantia. Desde que se mantenha a proporção das cotas entre essas categorias (devedor, credor e garantidor), os percentuais poderão ser aumentados.

Patrimônio em garantia
A MP 897/19 também permite ao proprietário rural oferecer parte de seu imóvel como garantia nos empréstimos rurais, vinculando a área a um título (Cédula de Produto Rural – CPR ou Cédula Imobiliária Rural – CIR).

Esse mecanismo é conhecido como regime de afetação, com registro do fato no cartório de registro de imóveis. Poderão fazer parte do regime o terreno e as benfeitorias existentes nele, exceto as lavouras, os bens móveis e o gado.

Entretanto, o texto estabelece algumas proibições. Não poderão sofrer a afetação o imóvel já hipotecado, a pequena propriedade rural de até 4 módulos fiscais, área do imóvel inferior a 1 módulo fiscal e o único bem de família.

Enquanto o produtor rural mantiver a dívida, a propriedade não poderá ser vendida, mesmo que apenas parte dela seja submetida ao mecanismo de afetação. O imóvel também não poderá ser oferecido como garantia em outras transações, e a Justiça não poderá retê-lo para o pagamento de outras obrigações, além de não fazer parte da massa falida no caso de falência.

Enquanto estiver no mecanismo de afetação, caberá ao proprietário manter e preservar o patrimônio e manter-se em dia com as obrigações tributárias e os encargos fiscais, previdenciários e trabalhistas de sua responsabilidade.

Quando ocorrer a emissão da CIR ou da CPR vinculados à área da propriedade rural dada como garantia, o não pagamento do valor desses títulos, que representam o empréstimo concedido, implicará a transferência da propriedade ao credor.

Sobre o tema, foi rejeitado o destaque do PCdoB que pretendia impedir essa transferência de forma imediata, como autorizado pelo texto.

Garantia adicional
Os títulos poderão ter garantia adicional oferecida por terceiros, inclusive bancos ou seguradoras.

Se a área rural vinculada ao título for desapropriada ou danificada por terceiro, o credor é que terá direito à indenização até o total para quitar ou amortizar a dívida.

E o vencimento da CIR será antecipado caso o proprietário deixar de pagar as obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias, abrir falência ou recuperação judicial ou desviar bens e praticar administração para arruinar a área sob afetação.

No caso de o valor em dinheiro do título não ser pago, a propriedade transferida ao credor deverá ir a leilão. O valor de venda será usado para quitar as despesas e a dívida. Se não for suficiente para isso, o credor poderá cobrar do devedor o saldo.

Cerealistas
Devido à carência de capacidade de armazenamento de grãos, a MP 897/19 autoriza a União a conceder, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), até R$ 20 milhões por ano em subsídios para diminuir a taxa de juros em financiamentos de construção de silos.

As taxas subsidiadas poderão ser concedidas até 30 de junho de 2021, e o dinheiro poderá ser usado em obras civis e na compra de máquinas e equipamentos necessários à construção de armazéns e à expansão da capacidade dos já existentes.

Poderão ser concedidos com juros menores até R$ 200 milhões em créditos. Se o encargo total cobrado do mutuário for maior que o custo de captação dos recursos somado aos custos administrativos e tributários, o BNDES deverá devolver a diferença ao Tesouro Nacional.

Caso o mutuário final do crédito aplicar de forma irregular os recursos ou desviá-los, o BNDES devolverá o valor da subvenção econômica ao Tesouro, atualizado pela taxa Selic, e o mutuário será impedido de receber crédito subvencionado por cinco anos.

Subsídios
O outro destaque rejeitado pelo Plenário nesta segunda-feira, de autoria do PT, pretendia impedir que bancos privados autorizados pelo Banco Central a conceder crédito rural contem com subvenção federal para a concessão de descontos na quitação ou no pagamento em dia das prestações. Atualmente, isso é possível apenas para bancos públicos.

Dívidas rurais
Uma das novidades no projeto de lei de conversão do deputado Lupion é a reabertura de prazos para a concessão de descontos na quitação de dívidas rurais. O prazo será 30 de dezembro de 2020.

Os descontos, previstos na Lei 13.340/16, se referem a empréstimos de recursos dos fundos constitucionais de financiamento, de bancos oficiais para empreendimentos localizados nas áreas da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e para débitos inscritos na dívida ativa da União.

Além das pessoas físicas, empresas também poderão contar com condições mais favoráveis na quitação de dívidas vencidas relacionadas à venda de lotes de projetos de irrigação junto à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e ao Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs).

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Pierre Triboli

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