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ARTIGOS & OPINIÕES

A (Des)Crença Política

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Por  EMANUEL FILARTIGA ESCALANTE RIBEIRO*

 Um jovem político me disse que entrou na política para “ajudar muita gente”. Ele mesmo emendou: “Só que não é assim. É interesse próprio, é interesse do partido, é interesse do governo”. E desabafou:

—É tempo de eleições, há um movimento forte no país inteiro, e olha que as eleições neste ano não são nem municipais – só que são também.

O curioso é perceber o movimento, a dinâmica do jogo. Não envolve apenas os candidatos, veja que empresas, imprensa, todos os tipos de partidos começam a correr…. Bancos, sindicatos, conselhos profissionais, mercados, fazendeiros, até as ONGs correm… E o que os move não é a vontade de fortalecer as instituições democráticas. Ora Sr. Promotor, o dinheiro não fortalece essas coisas. Pode ser investimento, também não sei ao certo. Eu sei que antes da eleição do voto, há a eleição do dinheiro, ou é a mesma coisa, também não entendo bem essa parte.

E os candidatos… Ah! Como ficam acessíveis durante as eleições, simpáticos, amorosos, entram em casa simples, tomam café; são afetuosos, abraçam todo mundo, ou querem todo mundo para eles… mais uma dúvida minha.

O sistema eleitoral parece influir em todos os âmbitos. As regras eleitorais chegam aos pequenos municípios do Brasil, ou daqui saem, não sei direito…O que se sabe é que é tudo pelo poder! Em vez de mandato, os políticos recebem, têm certeza eles, poder. E o poder, Sr. Promotor, nunca é de quem pensa que ele é.

Leia mais:  Gordura branca e gordura marrom

Muda governo, sai governo, não vemos grandes mudanças, mas uma coisa é certa, escancaradas são as mudanças para aqueles que estão no governo.

Acho que o problema é de governabilidade…Seja esse termo usado como eficiência dos Poderes na elaboração de políticas públicas, seja na capacidade de efetivar essas políticas públicas.

Alguns tiveram esperança com Fernando Henrique Cardoso, outros com Lula, tantos outros com Bolsonaro, ocorre que, fora questões muitíssimo pontuais, o status quo continua status quo.

Parece que as instituições políticas brasileiras funcionam mal. O sistema brasileiro beneficia, antes de tudo, ele mesmo e quem – políticos, agentes públicos – está com ele. Todas as instituições têm uma vontade, mesmo que oculta, de manter o que está. Isso parece impedir de mudar o mundo – ou, pelo menos, o Brasil, isso parece impedir de ajudar muita gente.

Veja bem, Sr. Promotor, com isso não quero dizer que todos os ocupantes dos poderes são corruptos, são ladrões. Quero dizer que o sistema gera muito beneficio para quem está nele. Criam incentivos para maximizar seus ganhos pessoais e “dos amigos”. Há alguns ainda que resistem a esses incentivos, mas a luta é árdua. Acabam cedendo.

Leia mais:  Androides sonham com parlamentares digitais?

Há políticos de muitas ideologias, há partidos que defendem opiniões radicais, até hostis, outros que não defendem nada. A maioria passa quase o mandato inteiro buscando nomeações, políticas públicas de interesse específicos em seus lugares eleitorais. Raramente se vê aquela coisa do interesse comum como mencionada nos livros que o Sr. leu.

E os prefeitos, governadores e presidente, os que se acham mais poderosos do mundo, raras vezes têm o poder que pensam, sua autoridade depende de troca de favores, distribuições de valores (estou falando só do legal, ainda), convênios de obra pública, cargos, nomeações… E tem a corrupção, mas acho que isso é coisa da pessoa, não só do poder, do dinheiro e da gravata.

Uma coisa é certa para mim, Sr. Promotor, a inovação política é quase impossível.

Neste ano vou de Deputado Federal, o Sr. vota?!

—Hum?!

*Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro é promotor de Justiça em Mato Grosso 

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Androides sonham com parlamentares digitais?

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Uma newsletter com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins.

 

Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.¹

Apesar de ter começado estudar Direito Civil ainda sob a égide do Código Beviláqua, aquele lá de 1916, a questão da capacidade jurídica da pessoa humana sempre me colocava uma pulga atrás da orelha.

E se houvesse uma pessoa não humana?

Confesso que por um tempo vislumbrei a possibilidade de escrever uma monografia projetando os conflitos no Direito se algum dia as pessoas se encontrassem com seres alienígenas, seriam estes, pessoas não humanas?

Mas quando um colega de sala, que estava pesquisando as monografias arquivadas na biblioteca da faculdade, apareceu com uma monografia sobre o Direito aplicado à prática de rapel e isso virou uma grande piada, os direitos dos ETs foi pro espaço².

Pule para 2022, a essa altura todo mundo já deve ter ouvido a história de um engenheiro do Google que disse que a inteligência artificial LaMDA (Modelo de Linguagem para Aplicações de Diálogo) teria se tornado senciente.

IA teria inclusive contratado um advogado. Qual distante essa inteligência estaria distante de capacidade civil?³

Ao repercutir esse assunto no podcast Pedro + Cora, o Pedro Doria citou o livro O terceiro chimpanzé, de Jared Diamond.

Robô tem alma?

By Canal Meio

Podcast episode

Diamond alerta que os seres humanos compartilham mais de 98% dos genes com os chimpanzés, logo se a classificação das espécies acontecesse pelo que conhecemos hoje, muito provavelmente os chimpanzés e nós deveríamos ser classificados juntos.

Juntando todos bichos, Ets e IAs desse texto, e se além da representação judicial solicitada pela LaMDA, esse pessoal tivesse representação legislativa?

Enquanto não tenho acesso ao DALL-E original, a inteligência artificial que cria imagens a partir de descrições textuais, uso uma versão mini que pruduziu essa imagem.

Na Itália, já acontece um tipo de representação diferente. Ao todo, 18 vagas das 945 do Legislativo (lá são 315 senadores e 630 de deputados) são reservadas para representar os italianos que vivem exterior.

Destas, quatro de deputado e duas para o Senado são escolhidas pela circunscrição da América do Sul⁴. Cada representante tem exatamente as mesmas funções e prerrogativas de um parlamentar eleito no território da Itália.

Por enquanto, a representação parlamentar é intrinsicamente humana, mas seguindo o modelo italiano, não me parece totalmente descabida a existência de um novo tipo de representação, onde uma cadeira possa ser reservada ao representante de outros seres sencientes, que não participariam diretamente das discussões de políticas públicas, mas poderiam ser representados.


POLL
Sobre a representação legislativa de seres sencientes:
Não. Esse assunto não dá!
Bicho também é gente (Et e IA tbm)
Tenho uma outra opinião sobre isso!

Para quem escolheu a terceira opção:

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Pela primeira vez o primeiro texto da QPD veio em primeira pessoa, outra detalhe importante é que trata-se de um tema sugerido pelo meio amigo Xisto Bueno.

Quer sugerir um tema para esta newsletter? Você pode mandar um e-mail ou dar um alô no Instagram (pessoal ou da QPD), LinkedIn ou Twitter.


Nile Rodgers

Bernard e eu sempre acreditamos que a maioria das músicas se encaixa numa categoria ampla chamada rock’n’roll. O rock’n’roll estava sempre mudando, e, para benefícios dos seus consumidores, era uma forma de arte com diferentes gêneros, assim como seções de uma livraria ou biblioteca. Quando qualquer gênero – folk, soul, rock, até mesmo jazz – atinge uma certa posição nas paradas de sucesso, acontece o que na indústria da música chamamos de “crossing over”, o que o faz ser tocado nas quarenta maiores estações do país.

A citação acima é do livro Le Freak, a autobiografia do Nile Rodgers. Fiquei encantado com jeito leve que ele conta sobre uma infância complicada com pais viciados, com preconceito racial e o preconceito que a disco sofreu durante um período. O livro é anterior ao disco do Daft Punk, mas tem muitas histórias fantásticas do Nile e da constelação com o qual ele conviveu (e fez parte).


Sobre pesquisas e coisas felpudas

A pesquisa corresponde a verdade? Mas todo mundo perto de mim pensa diferente…

Publicações para entender melhor as pesquisas⁵:

A post shared by Lucas Pimenta (@lucaspimentanosolhos)

Por que pesquisas eleitorais têm resultados diferentes? Estudo inédito explica, na Bloomberg Línea. O estudo está aqui.

Para encerrar o assunto, tenho gostado muito de acompanhar o agregador de pesquisas da Lagom Data (uma dica do André Forastieri) e pergunto para você: essa eleição virou uma disputa de toalhas?


Vale o clique:

  • Ainda sobre o tema da semana:
The Intrinsic Perspective

Humans see p-zombies everywhere

We live in strange times: there are now creatures made only of language. Contemporary AIs, like LaMDA, which is Google’s latest internal chatbot, have achieved fluency in their native element (albeit in the form of a schizophrenic virtuosity). So much so that a Google engineer, Blake Lemoine, now…

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a month ago · 82 likes · 27 comments · Erik Hoel

VFSM #203 – Jingles Políticos e Paródias Eleitorais

By Vamos Falar Sobre Música?

Podcast episode


Quinze por Dia, ou simplesmente QPD, é uma newsletter quinzenal com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins, por Gabriel Lucas Scardini Barros. Estou à disposição para conversar no Instagram @gabriel_lucas. Caso tenha recebido esse e-mail de alguém ou chegou pelo navegador, siga esse link para assinar.

2

No fim, minha monografia foi um estudo mais aprofundado sobre culpa consciente e dolo eventual, praticamente minha última incursão em temas penais.

3

Caso você não tenha pego a referência, o título da QPD se refere ao romance Androides sonham com ovelhas elétricas, de Philip K. Dick, e que serviu de inspiração para o filme Blade Runner.

4

Mais informação sobre isso aqui.

5

De todos os perfis de marketing político, o que eu tenho mais gostado é esse do Lucas Pimenta nos Olhos.

6

Toalhas em profusão aquiaqui e aqui.

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Gordura branca e gordura marrom

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 Por Max Lima*

Você já ouviu dizer que existem diferentes tipos de gordura em seu corpo, alguns bons para você e outros não. Eu poderia ser uma pessoa de sorte que tem apenas o tipo bom?

Existem dois tipos de tecido adiposo: o branco e o marrom. Cada um tem uma estrutura e função diferente. A perda ou ganho de peso está relacionada à quantidade de gordura que esses tecidos armazenam, interferindo na sua facilidade ou dificuldade para emagrecer. Eles correspondem entre 20 e 25% do peso corporal das mulheres e 15 a 20% dos homens, considerando pessoas com peso normal.
Infelizmente, ninguém tem apenas o tipo bom, mas a maioria de nós pelo menos tem alguns.

Nos últimos 30 anos, aprendemos muito sobre gordura. Costumávamos pensar que era principalmente isolamento contra o frio, nada mais. Na verdade, é muito mais.

Uma descrição moderna da gordura é fornecida em um artigo do Dr. Aaron Cypess, do National Institutes of Health, publicado em 24 de fevereiro de 2022, no The New England Journal of Medicine.

Ele explica como a gordura (tecido adiposo) contém não apenas células cheias de gordura (adipócitos), mas também vasos sanguíneos, nervos e células do sistema imunológico.

Leia mais:  Androides sonham com parlamentares digitais?

O tipo mais comum de tecido adiposo é o tecido adiposo branco (“gordura branca”), localizado no peito, abdômen e parte superior das pernas; muito disso constitui obesidade. A gordura branca faz mais do que fornecer isolamento contra o frio.
Assim como uma bateria recarregável, ela também armazena gorduras derivadas dos alimentos e libera continuamente pequenas quantidades de gorduras a serem convertidas em energia.

*Precisamos desse suprimento constante de energia para funcionar. Se não pudéssemos armazenar e liberar continuamente fontes de energia, precisaríamos estar constantemente comendo. Se tivéssemos que fazer isso, faríamos ainda menos em um dia.

O tecido adiposo marrom (“gordura marrom”) é encontrado no pescoço, ombros, peito e abdômen, em pequenas quantidades – menos de um centésimo da quantidade de gordura branca.

Sua principal função é queimar as gorduras que armazena, criando calor que nos mantém aquecidos. Existem outros tipos de tecido adiposo também, com diferentes funções.

Descobrimos que o tecido adiposo também produz muitos hormônios, incluindo alguns que afetam nosso apetite, pressão arterial, açúcar no sangue e colesterol. Também produz moléculas do sistema imunológico que podem afetar o grau de inflamação em nossos corpos.

Leia mais:  Gordura branca e gordura marrom

O perfil mais saudável é ter relativamente mais gordura marrom e relativamente menos gordura branca do que a média.

Neste momento, a medição da quantidade de gordura marrom e branca em nosso corpo não está disponível rotineiramente. Também não sabemos como aumentar a quantidade de gordura marrom. Mas, por mais difícil que seja fazer, sabemos como reduzir a quantidade de gordura branca.

Apesar de o tecido marrom ser conhecido como gordura boa, o tecido adiposo branco também é importante para a nossa saúde e funcionamento do nosso organismo. Por isso, o ideal é manter uma alimentação equilibrada que colabore com o funcionamento de ambos.

Max Lima

*Max Lima é médico especialista em cardiologia e terapia intensiva,conselheiro do CFM, médico do corpo clínico do hospital israelita Albert Einstein, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso(SBCMT), Médico Cardiologista do Heart Team Ecardio no Hospital Amecor e na Clínica Vida , Saúde e Diagnóstico. CRMT 6194
Email: [email protected]

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