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ARTIGOS & OPINIÕES

A importância da comunicação nos processos de Governança e Sucessão

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Por Cid Luís O. Pinto*

A comunicação é, muitas vezes, o elo invisível que sustenta a governança corporativa e os processos sucessórios nas empresas. Não por acaso, organizações que enfrentam crises de sucessão raramente sofrem por falta de estratégia no papel; o problema, quase sempre, está na forma como essas decisões são comunicadas.

Governança não é apenas um conjunto de regras, conselhos e estruturas formais. Ela se materializa no dia a dia por meio de alinhamento, clareza de papéis e confiança entre sócios, conselheiros e executivos. E tudo isso depende diretamente da comunicação. Quando há ruído, omissão ou mensagens contraditórias, o que deveria ser um sistema de equilíbrio se transforma em um ambiente de insegurança e disputa de poder.

Nos processos sucessórios, essa realidade se intensifica. A troca de liderança mexe com expectativas, vaidades, cultura organizacional e, muitas vezes, com o legado de quem construiu a empresa. Sem uma comunicação estruturada, transparente e contínua, abre-se espaço para especulações internas, perda de talentos e até desgaste da imagem perante o mercado.

Empresas maduras entendem que sucessão não é um evento, mas um processo, e que precisa ser comunicado como tal. Isso envolve preparar o terreno com antecedência, estabelecer critérios claros para escolha de sucessores, alinhar discursos entre os principais líderes e, principalmente, construir narrativas consistentes que conectem passado, presente e futuro da organização.

Mais do que informar, comunicar em um contexto de governança e sucessão é gerir percepções. É garantir que todos os públicos internos e externos compreendam não apenas “o que” está acontecendo, mas também “o porquê” das decisões. Essa clareza reduz resistências, fortalece a credibilidade da liderança e preserva a reputação da empresa.

Ignorar esse aspecto é um erro estratégico. Afinal, uma sucessão mal comunicada pode anular anos de construção de marca, cultura e resultados. Por outro lado, quando bem conduzida, a comunicação transforma a transição em uma oportunidade de reforçar valores, engajar equipes e demonstrar maturidade institucional.

No fim, governança eficaz não existe sem comunicação eficaz. E sucessões bem-sucedidas não são aquelas que apenas acontecem, mas sim as que são compreendidas, aceitas e legitimadas por meio de uma comunicação clara, intencional e estratégica.

*Cid Luís de Oliveira Pinto é jornalista especializado em gestão de crise, media training e planejamento estratégico de comunicação. Atua no mercado de comunicação há mais de 40 anos, tendo trabalhos em jornais, rádio, TV e atualmente é sócio e diretor da Alfapress Comunicações e parceiro da Siga 2R Apoio Empresarial. 

ARTIGOS & OPINIÕES

Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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 Por Dr. Max Wagner de Lima e Maristela Luft*

Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem, exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso.É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
 
Saúde não é sorte. É rotina.
*Dr. Max Wagner de Lima – Cardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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ARTIGOS & OPINIÕES

Split Payment e a nova forma de recolher tributos

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 Por Wanessa Zagner*

A Reforma Tributária trouxe uma série de mudanças que vêm despertando dúvidas entre empresários, contadores e gestores. Entre elas, uma das que mais chama a atenção é o chamado Split Payment, um mecanismo que promete transformar a forma como os tributos serão recolhidos no Brasil.

Apesar do nome em inglês parecer complexo, a lógica é relativamente simples. Em vez de a empresa receber o valor integral de uma venda para, posteriormente, recolher os tributos devidos ao governo, o Split Payment prevê que a parcela correspondente aos impostos seja separada automaticamente no momento do pagamento da operação.

Na prática, imagine uma empresa que vende um produto por R$ 1.000. Atualmente, esse valor entra integralmente em sua conta e, posteriormente, a empresa realiza o recolhimento dos tributos. Com o novo modelo, parte desse montante poderá ser direcionada automaticamente ao Fisco, enquanto apenas o valor líquido será disponibilizado ao fornecedor.

O principal objetivo dessa mudança é reduzir a inadimplência tributária, combater a sonegação fiscal e aumentar a eficiência da arrecadação. Ao automatizar o recolhimento dos tributos, o governo busca diminuir falhas, fraudes e dificuldades relacionadas ao pagamento de impostos.

No entanto, embora o modelo traga benefícios para a administração tributária, ele também desperta preocupações legítimas no setor empresarial. Uma das principais delas está relacionada ao fluxo de caixa.

Muitas empresas utilizam o valor recebido nas vendas para custear despesas operacionais, adquirir mercadorias, pagar fornecedores e manter suas atividades diárias. Com a retenção automática da parcela destinada aos tributos, será necessário um planejamento financeiro ainda mais rigoroso para evitar impactos na liquidez do negócio.

Outro aspecto importante é que a implementação do Split Payment dependerá de uma estrutura tecnológica robusta. Sistemas de pagamento, instituições financeiras, plataformas digitais e administrações tributárias precisarão atuar de forma integrada para que o recolhimento ocorra com segurança e precisão.

Também é importante destacar que diversos detalhes ainda dependem de regulamentação. A Reforma Tributária estabeleceu as diretrizes gerais, mas muitos procedimentos práticos serão definidos por legislação complementar e normas operacionais que ainda estão em construção.

Por isso, este é um momento de atenção para as empresas. Mais do que compreender as novas regras, será fundamental avaliar processos internos, revisar sistemas, preparar equipes e acompanhar a regulamentação que será publicada nos próximos meses.

A Reforma Tributária representa uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas. O Split Payment é apenas uma das mudanças previstas, mas certamente será uma das que mais impactarão a rotina das empresas.

Preparação, informação e planejamento serão essenciais para que essa transição aconteça de forma segura e sem surpresas.

 

 

*Wanessa Zagner, Advogada Tributarista da ZR Advogados

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