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ARTIGOS & OPINIÕES

O parlamento não precisa de holograma. Precisa de legenda.

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E.

Uma newsletter com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins.


 Relatório e estudo mostram que previsibilidade, legenda e o direito de vista podem valer mais do que muita novidade tecnológica e custam pouco para implementar.

Todos os dias, cerca de 15 novas leis são publicadas no Brasil. A Quinze por Dia existe para explicar por que isso acontece e o que isso diz sobre o nosso processo legislativo e a nossa política.

Ainda este mês, houve a edição sobre plenário virtual, avatares de parlamentares e holograma na tribuna. Agora a ideia é ir na direção oposta e mostrar que nem toda melhora do parlamento passa por inovação tecnológica de ponta. Às vezes passa por organizar a casa.

Primeiro, o relatório que a Comissão de Modernização da Câmara dos Comuns britânica publicou em dezembro de 2025. Ele não fala de IA. Fala de coisas como: quem consegue falar na sessão, quem consegue enxergar a legenda da transmissão, quem consegue ler a fonte do texto na tela, quem consegue entender o que está sendo votado.

E o que um relatório do Reino Unido tem a ver com uma Câmara Municipal do interior do Brasil? Mais do que parece.


Previsibilidade: quem fala, e quando

Muitas casas legislativas sofrem com a distribuição do tempo de fala em plenário. Os parlamentares não sabem quando serão chamados, chegam correndo para se inscrever, e sempre sobra a sensação de que “os outros falam mais que eu”.

O relatório não bate o martelo numa solução única. A Câmara dos Lordes já opera com lista de inscrição prévia, publicada até uma hora antes da sessão. A Câmara dos Comuns, não.

Quem fala e quando ainda é decidido de forma informal, a critério de quem preside. A comissão ouviu os dois lados (previsibilidade de um, medo de engessar o debate do outro) e preferiu não decidir, passando a bola para a Comissão de Procedimentos. Mesmo depois de um relatório com dezenas de recomendações, os britânicos ainda estão brigando com essa pergunta.

Mas que tal ir além? E se a lista de oradores seguisse a mesma lógica da ordem do dia, publicada com um dia ou mais de antecedência?


Acessibilidade: quem consegue acompanhar

O relatório também cobra algo que qualquer Câmara pode resolver essa semana: legenda na transmissão. O YouTube legenda automaticamente as lives, mas só se a opção estiver ativada. Um clique que muda o acesso de quem tem deficiência auditiva à sessão.

Detalhe parecido aparece na reclamação da SignHealth, ouvida pela comissão: a telinha usada para transmitir a sessão na galeria do público é pequena demais para pessoas surdas conseguirem acompanhar.

Problema de polegadas de tela, não de verba. Fontes grandes na tela de transmissão e nos documentos publicados resolvem no mesmo espírito, outro ajuste de configuração, nem tanto de orçamento.


Linguagem simples: quem consegue entender

O relatório dedica um capítulo inteiro à linguagem parlamentar, e ouviu organizações que atendem pessoas com deficiência intelectual dizerem, sem meio-termo, que o jargão da Casa é uma barreira tão real quanto um degrau sem rampa. Boa parte da sociedade também sente essa barreira.

A saída sugerida também não tem nada de high-tech. Passa por ter um glossário sempre à mão, explicações em linguagem simples anexadas aos projetos, nota explicando o efeito prático de uma emenda antes da votação. É basicamente o que a legística chama de motivação compreensívelassunto que a QPD adora abordar.


Regimento e minorias: quem consegue influenciar

Se previsibilidade, legenda e linguagem simples nivelam o jogo para quem acompanha, o regimento interno pode fazer o mesmo por quem está dentro do plenário e tem menos força numérica. É aqui que entra outro documento: o Texto para Discussão nº 347 do Senado Federal, publicado no ano passado (e já mencionado em outras edições), que reúne propostas de aperfeiçoamento do processo legislativo.

Um dos temas é a vista de projeto, o direito de pedir mais tempo para examinar uma matéria antes de votá-la. Fica a pergunta para casa legislativa: sua Câmara prevê vista? Só na comissão, ou também no plenário?

É bom lembrar que o regimento é a democracia instrumentalizada, e vista é um dos direitos para a minoria tentar convencer a maioria ou, no mínimo, propor uma modificação ao projeto antes que ele vire lei.


Nenhuma dessas mudanças precisa de holograma. A mais barata de todas, inclusive, você resolve hoje: pergunte ao secretário-geral da sua Casa se a legenda automática está ativada no canal do YouTube. Cinco minutos, zero reais, uma barreira a menos.


Avisos e proclames



Vale o clique

constitucionalissimo constitucionalissimo

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Constitucionalíssimo on Instagram: “chama-se jabuti a emenda in…

Vizinhança

Wesmey Silva
Publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-CE em 27 de julho de 2026, a Portaria nº 544/2026 flexibiliza exigências da Instrução Normativa nº 01/2025 e, por isso, pede uma leitura atenta. O risco está em interpretá-la como se o Tribunal tivesse voltado atrás na IN, suspendido sua aplicação ou empurrado o novo modelo de prestação de contas para outro …

ARTIGOS & OPINIÕES

De pai para filho: o que herdamos além dos olhos, do sorriso e do sobrenome?

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Pot Dr. Max Wagner de Lima*

 
No Dia dos Pais, costumamos lembrar das semelhanças que atravessam gerações.
O mesmo jeito de sorrir.O formato do rosto.O temperamento.A maneira de andar, falar ou reagir diante da vida.
Mas existe uma herança menos visível e igualmente importante , que também pode passar de pai para filho: a predisposição para determinadas doenças.
Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, obesidade, infarto precoce, arritmias e algumas doenças do músculo cardíaco podem ocorrer com maior frequência em determinadas famílias. Isso não significa que o filho esteja condenado a repetir a história do pai. Significa que essa história precisa ser conhecida.

A genética não é uma sentença

Recebemos aproximadamente metade do nosso material genético do pai e metade da mãe. Algumas características são determinadas por alterações em um único gene, mas a maioria das doenças cardiovasculares resulta de uma interação muito mais complexa.
São centenas ou milhares de pequenas variações genéticas atuando junto com alimentação, atividade física, sono, tabagismo, estresse, peso corporal, pressão arterial e ambiente.
Por isso, ter um pai que sofreu um infarto não significa que o filho também sofrerá. No entanto, especialmente quando o evento ocorreu precocemente, esse antecedente funciona como um importante sinal de alerta e deve ser considerado na avaliação individual do risco cardiovascular. A história familiar é reconhecida pelas principais diretrizes como um fator capaz de aumentar o risco e influenciar decisões preventivas.
Em outras palavras: A genética pode carregar a arma, mas é a interação com o ambiente e com a rotina que, muitas vezes, determina se o gatilho será acionado.

Algumas heranças merecem atenção especial

Um exemplo importante é a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode causar níveis muito elevados de colesterol LDL desde a infância.
Como geralmente não produz sintomas, uma pessoa pode conviver durante décadas com o colesterol alto sem saber. Em algumas famílias, o primeiro sinal da doença pode ser um infarto ou outro evento cardiovascular em idade jovem.
Quando essa condição é identificada em um integrante da família, pais, irmãos e filhos devem ser avaliados. Esse processo é chamado de rastreamento em cascata e permite encontrar precocemente outros familiares que também possam estar sob risco.
A lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), também merece atenção. Seus níveis são fortemente determinados pela genética e podem ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam doença cardiovascular mesmo mantendo hábitos aparentemente adequados.
Além disso, determinadas cardiomiopatias, doenças da aorta, alterações elétricas do coração e formas de morte súbita podem possuir um componente hereditário relevante. Nesses casos, a avaliação dos familiares não deve começar somente depois que aparecem sintomas.

Não herdamos apenas genes

Dentro de uma família, também compartilhamos a mesa, os hábitos, os exemplos e a maneira como cuidamos da saúde.
O filho pode herdar do pai uma predisposição à hipertensão. Mas também pode aprender com ele a consumir alimentos em excesso, fumar, permanecer sedentário e evitar consultas médicas.
Da mesma forma, pode aprender a praticar exercícios, cuidar da alimentação, realizar avaliações preventivas e compreender que procurar ajuda não é sinal de fraqueza.
A história familiar reúne genes, comportamentos e exposições ambientais. Por isso, conhecer a saúde dos pais, avós e irmãos oferece informações que nenhum exame isolado consegue substituir.

O que devemos perguntar à família?

Em muitas casas, sabemos onde nossos pais nasceram, para qual time torcem e quais histórias viveram, mas desconhecemos informações básicas sobre sua saúde.
Neste Dia dos Pais, algumas perguntas podem valer mais do que muitos presentes:
  • Alguém na família teve infarto ou derrame? Com qual idade?
  • Há casos de morte súbita ou morte sem explicação?
  • Existe colesterol muito alto, hipertensão ou diabetes?
  • Algum familiar precisou colocar marca-passo ou desfibrilador?
  • Existem casos de aneurisma, aumento do coração ou insuficiência cardíaca?
  • Alguma doença cardiovascular apareceu antes dos 55 anos nos homens ou antes dos 65 anos nas mulheres?
Mais importante do que saber apenas que “há problema de coração na família” é descobrir qual foi o problema e com que idade ele apareceu.

O melhor legado é antecipar

Quem possui histórico familiar relevante pode precisar iniciar a prevenção mais cedo e de forma mais individualizada.
Isso pode incluir avaliação da pressão arterial, glicemia, perfil de colesterol, Lp(a), composição corporal, hábitos de sono e nível de atividade física. Dependendo do caso, exames complementares ou aconselhamento genético podem ser indicados.
Nem toda pessoa com histórico familiar precisa realizar teste genético. A maioria das doenças cardiovasculares não é causada por uma única mutação, e a necessidade de investigação deve ser definida a partir da história clínica, do exame físico e do padrão observado na família.
Mesmo quando existe predisposição, há muito que pode ser feito. Alimentação equilibrada, exercícios regulares, controle do peso, ausência de tabagismo, sono adequado e tratamento correto da pressão, do colesterol e da glicose reduzem o risco cardiovascular.

De pai para filho, uma nova forma de cuidar

Talvez o maior presente de um pai não seja esconder seus problemas para não preocupar os filhos.Talvez seja contar sua história.
Compartilhar diagnósticos, exames e acontecimentos importantes permite que os filhos se cuidem mais cedo. E talvez o maior presente de um filho seja ajudar o pai a compreender que ainda há tempo para mudar a direção dessa história.
Não escolhemos os genes que recebemos. Mas podemos escolher o que faremos com essa informação.
Neste Dia dos Pais, além de celebrar o amor, o exemplo e as memórias, converse sobre saúde.Porque algumas heranças não podem ser modificadas. Mas podem ser compreendidas, acompanhadas e tratadas.
E há um legado que pode atravessar gerações de maneira ainda mais poderosa do que a genética: o exemplo de que saúde não é sorte. É rotina.
 
*Dr. Max Wagner de Lima Cardiologista — Prevenção, cardiometabolismo e longevidade
CRM 6194 |
RQE 2308Luminae

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Câncer de próstata é o tipo de tumor mais comum entre os homens

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Por Dr Walid Khalil*

Todo mundo conhece algum homem que tenha tido ou tratado câncer de próstata. Geralmente no Brasil, a incidência aumenta com o envelhecimento.O Câncer de próstata é um tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o segundo tipo de tumor mais incidente em homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

SINTOMAS

O desafio para os urologistas é que ele demora para se manifestar. Mas é importante observar algum desses sintomas:
• dificuldade para  urinar;
• sangue ao urinar ou ejacular;
• insuficiência renal;
• dor óssea.

TIPOS DE CÂNCER DE PRÓSTATA

O Adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer que acomete a próstata. Outros tipos como o
Carcinoma de células transicionais ou câncer urotelial, o câncer  de próstata neuroendócrino e o Sarcoma de próstata são menos comuns de ocorrer.

FATORES DE RISCO

Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de próstata; Consumir muita carne vermelha ou laticínios ricos em gordura;
Exposições a produtos químicos; Tabagismo;
Homens negros e o próprio
Envelhecimento são alguns dos fatores de risco.

DIAGNÓSTICO

A partir de 40 anos fazer o toque retal e o exame de sangue conhecido como o PSA (Antigénio Específico da Próstata) são essenciais para o diagnóstico precoce do câncer. O ultrassom abdominal da próstata ajuda avaliar o seu tamanho mas não serve para diagnosticar tumor. A ressonância magnética multiparamétrica da próstata é um exame que tem ajudado muito na avaliação de casos suspeitos e no direcionamento da biópsia que é o exame necessário para confirmar a presença da doença.

TRATAMENTO

Acompanhamento ativa (para casos iniciais e de baixo risco);
Cirurgia radical da próstata;
Radioterapia;
Braquiterapia;
HIFU (ultrassom de alta frequência);
Terapia hormonal;
Quimioterapia;
São modalidades de tratamento que podem ser utilizadas, mas que serão discutidas com seu médico de acordo com o grau de acometimento da doença. Portanto, quanto mais cedo for descoberto o câncer de próstata, mais chances de cura terá o paciente.

*Dr Walid Khalil é Doutor em Urologia e especialista em Andrologia e Urologia Clínica e Cirúrgica – CRM-MT 5689 – RQE 26526, atende na Clínica UROLASER em Cuiabá*

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