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ARTIGOS & OPINIÕES

Ser servidor público estadual em MT tornou-se uma luta permanente por respeito, valorização e dignidade

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Por Carmen Machado*

Em meio a reuniões, debates, mobilizações e inúmeras tentativas de diálogo, os servidores públicos estaduais de Mato Grosso voltarão às ruas no próximo dia 25 de maio, reafirmando a força do Movimento Sindical Unificado em defesa do serviço público.

Essa não é uma luta isolada.
É a luta de toda a sociedade e de todas as categorias que diariamente sustentam o funcionamento do Estado por meio das Políticas Públicas.

É a luta do servidor que atua na segurança pública protegendo a sociedade, do profissional que fiscaliza nas estradas, atende nos postos de saúde, hospitais, trabalha nas escolas, garante o funcionamento das repartições públicas e executa serviços essenciais que chegam diretamente à população.

São profissionais que dedicaram anos de estudo para ingressar no serviço público por meio do concurso público, que se capacitaram para melhor desempenhar suas atividades mas que, com o passar do tempo, assistiram ao enfraquecimento de suas carreiras, à perda do poder de compra e ao crescente processo de desvalorização salarial.

Hoje, milhares de servidores convivem com o superendividamento, com o massacre dos consignados, consequência direta da ausência de políticas de valorização, das perdas inflacionárias acumuladas e da falta de recomposição salarial adequada. Muitos recorrem às consignações com juros astronômicos para conseguir fechar as contas do mês e garantir o básico, o mínimo assistencial para suas famílias.

Enquanto isso, problemas históricos continuam sem solução:
RGA acumulada de quase 20% não paga, progressões travadas, falta de concursos públicos, sobrecarga de trabalho, sucateamento das estruturas públicas e carência de servidores em diversas áreas essenciais e o assédio nas suas mais variadas formas.

Além disso, cresce de forma preocupante a substituição do servidor efetivo por terceirizações e processos seletivos temporários, medidas que fragilizam o serviço público, precarizam relações de trabalho e comprometem a qualidade do atendimento prestado à sociedade. A quem interessa esse desmonte?? Uma pergunta que não quer calar.

O servidor público não pede privilégios.
O que se reivindica é reconhecimento, valorização e respeito por aqueles que dedicam suas vidas ao funcionamento do Estado e ao atendimento da população mato-grossense.

Diante desse cenário, conclamamos todos os servidores públicos estaduais a participarem do grande ato sindical no dia 25 de maio, às 14h, em frente ao TRT.

Mais do que uma manifestação, este será um momento de união, resistência e fortalecimento da luta coletiva.

Nenhum direito foi conquistado sem mobilização, sem luta.
E somente com participação, consciência política e união conseguiremos avançar na defesa dos servidores públicos de Mato Grosso.

Servidores Públicos o processo eleitoral se aproxima e é preciso refletir: Voto não tem preço, tem consequência!!

*Carmen Machado é
Servidora Pública da Saúde/Aposentada
Presidente da FESSP-MT

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O Ritmo das Coisas Quietas

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Por Márcio Florestan Berestinas*
Houve um tempo em que errar português causava algum constrangimento.Talvez eu esteja romantizando um pouco o passado — hipótese que já não consigo afastar completamente —, porque é bem provável que nossos avós também massacrassem concordâncias em conversas de botequim, cartas apressadas e bilhetes domésticos.

A diferença é que o deslize antigamente morria em família. Hoje ganha engajamento, impulsionamento e, dependendo do algoritmo, talvez até contrato de publicidade. Ainda assim, operava certo pudor linguístico.
A pessoa tropeçava num “mau” e “mal”, atropelava uma crase inocente, cometia alguma barbaridade sintática e, pelo menos, demonstrava um discreto desconforto. Atualmente, erramos com uma autoconfiança que as gerações anteriores jamais ousariam exibir.
Outro dia encontrei um “hajam vistas” num documento tão solene que faltava apenas um brasão dourado e alguém tocando trombeta ao fundo. A expressão “haja vista”, que passou décadas vivendo pacatamente no singular, apareceu flexionada daquele jeito exuberante, como se tivesse decidido fazer crossfit gramatical.E ninguém parecia preocupado.
De uns tempos para cá, criou-se a sensação de que a gramática deve simplesmente aceitar qualquer coisa que a maioria repita. O uso virou uma espécie de salvo-conduto universal. Se milhões falam de determinado modo, então pronto: o idioma que se reorganize.É óbvio que a prática das ruas importa. Sempre importou. Norma nenhuma nasce em gabinete de filólogos vestidos de fraque.
Nosso falar foi sendo moldado por povos, mercados, portos, escolas, erros felizes e improvisos históricos. A própria tradição normativa já exagerou muito ao longo do tempo, tentando transformar preferências estilísticas em leis eternas do universo.A questão é que existe um ponto em que a flexibilização começa a dissolver as referências comuns.
E talvez seja aí que mora a inquietação.Afinal, uma coisa é a transformação orgânica, lenta, sedimentada pelo tempo. Outra é a celebração automática de toda simplificação, como se qualquer resistência às alterações fosse necessariamente sinal de elitismo cultural ou repressão sintática.Convenhamos que ninguém sensato deseja transformar a cartilha numa polícia de costumes. Deus nos livre do sujeito que interrompe churrasco para corrigir próclise entre uma linguiça e outra.
O cidadão pode perfeitamente falar errado e continuar sendo ótima companhia, excelente médico, escritor brilhante, cantor de bolero ou até deputado — embora, nesse último caso, a sintaxe seja o menor dos nossos problemas.Por outro lado, não precisamos tratar todo padrão como relíquia opressiva de uma era a ser demolida.Já enterramos o trema com honras discretas e deixamos pelo caminho alguns acentos diferenciais, sem maiores traumas civilizatórios.
A engrenagem verbal continua viva, embora “linguiça” jamais tenha se conformado inteiramente com a perda daqueles dois pontinhos que lhe davam certa elegância germânica.Modificações legítimas existem.
O desafio é definir o momento exato em que a reforma vira demolição — e suspeito que ninguém possua resposta totalmente segura para isso. Talvez a fronteira esteja menos na alteração em si e mais na capacidade de o idioma continuar preservando clareza, precisão, musicalidade e alguma continuidade histórica consigo mesmo.
De minha parte, tenho enorme respeito pela sociolinguística e pela importante percepção de que a fala popular possui estruturas próprias, coerências internas e riqueza cultural. O preconceito linguístico existe, é real e frequentemente serve para humilhar pessoas muito mais do que para proteger o patrimônio comum.
Paralelamente a isso, nota-se hoje certa impaciência com o estudo das formas tradicionais, frequentemente apresentada como sinônimo de modernidade. Não se trata de um “vale-tudo” institucional — concursos, vestibulares e o mercado de trabalho continuam exigindo a norma culta.
Mas o prestígio cultural da regra parece ter empobrecido, como se estudar sintaxe, regência ou concordância fosse uma atividade levemente suspeita, praticada apenas por senhores amargos cercados de dicionários antigos e ressentimentos acadêmicos.Confesso que, nesse aspecto, minhas simpatias costumam acompanhar Napoleão Mendes de Almeida quase sem deserções — inclusive na velha questão do “em que pese”. Sempre me pareceu estranho flexionar uma expressão que funciona como “apesar de”, “malgrado”, “não obstante”.
Há locuções que envelhecem melhor quando permanecem quietas. Talvez por isso “em que pesem os argumentos” ainda me soe como alguém tentando colocar rodas numa cadeira de balanço.Note-se que isso não significa transformar grandes escritores em réus. A literatura quase sempre respirou melhor quando teve liberdade diante dos manuais — e reside aí parte de sua força vital. Nem Machado de Assis escaparia ileso de certas bancas de concurso contemporâneas.
Felizmente para nós, a escrita artística nunca coube inteiramente dentro das regras frias.Ainda assim, o saudoso Olavo Bilac talvez tivesse razão ao chamar o português de “última flor do Lácio, inculta e bela”.
O poeta exagerava um pouco nos ornamentos, é verdade. Mas compreendia algo fundamental: uma língua não serve apenas para pedir café, discutir política no grupo da família ou escrever legendas indignadas.
Ela guarda memória, humor, ritmo, modos de sentir.Quando a linguagem perde nuances, a nossa capacidade coletiva de expressar as sutilezas do mundo também se empobrece.O mais sensato seria admitir que um idioma pode evoluir sem se desmanchar por inteiro. Pode acolher novidades legítimas sem abandonar suas próprias fundações. Pode abrir janelas novas sem derrubar as paredes da casa.
Existe uma diferença imensa entre reforma e demolição. E o português, convenhamos, já sofreu demais para ainda ter de sobreviver ao entusiasmo destruidor da improvisação.

*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

 

 

 

 

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Quem tem medo das emendas parlamentares?

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Uma newsletter com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins.

Uma edição extraordinária da Quinze por Dia.

Todos os dias, cerca de 15 novas leis são publicadas no Brasil. A Quinze por Dia existe para explicar por que isso acontece e o que isso diz sobre o nosso processo legislativo e a nossa política.

O Brasil poderia ter trocado de nome várias vezes. Começou como uma referência ao pau-brasil, mas poderia ter passado pelo ouro, pela cana-de-açúcar, pelo café.

Hoje poderia trocar o seu nome por soja, gado, minério de ferro e petróleo. Em cada era, o produto que nos define muda, mas o país continua sendo moldado por quem decide o que vale mais.

Com o Poder Legislativo acontece algo parecido. Legislar continua sendo essencial, na apresentação de novas propostas, na discussão e no emendamento dos projetos em tramitação.

Ao lado dos Tribunais de Contas, o parlamentar é um fiscal ativo do uso dos recursos públicos. O poder poderia ser batizado de Poder Fiscalizador.

E, mais do que isso, consagrou sua prerrogativa constitucional de ser um decisor de onde o dinheiro público vai. E outra função tomou o protagonismo: a função alocativa do orçamento público.

Se o nome do Brasil sempre acompanhou o que produzimos de mais valioso, talvez hoje o maior ativo em disputa não seja uma commodity. Seja o orçamento público. E quem decide onde ele vai, decide o país.


Como chegamos aqui

Tudo mudou. O processo de criação das emendas parlamentares impositivas começou com alterações nas leis orçamentárias federais até chegar na constitucionalização do tema. Hoje, uma parte significativa do orçamento federal é decidida pelo Congresso Nacional e essa conquista tem nome: autonomia alocativa do Parlamento.

Isso não é defesa de desvios ou malversações. Crime é caso de polícia e de investigação do Tribunal de Contas. É a defesa de uma função legítima, conquistada democraticamente, e exercida por mais de 61 mil mandatos eleitos pelo voto direto.


A função que Brasília não enxerga

Um ministério em Brasília (ou uma secretaria de estado ou município) pode não saber que o posto de saúde de um distrito rural ficou sem reforma há dez anos. O vereador sabe. O deputado estadual sabe. Os parlamentares recebem esse tipo de demanda todos os dias.

As emendas parlamentares são, muitas vezes, o único canal pelo qual demandas invisíveis ao planejamento centralizado se tornam realidade, dentro do cardápio de ações já previstas nos Planos Plurianuais. O parlamentar não improvisa: ele enxerga o que o Executivo, preso às questões macro, simplesmente não alcança.

Por isso, transparência e rastreabilidade são exigências inegociáveis — no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Não como punição ao Parlamento, mas como condição para que a função alocativa seja exercida com legitimidade e efetividade.


Quando o estudo que acusa não se submete ao mesmo critério

Em abril de 2026, um levantamento do Movimento Orçamento Bem Gasto subsidiou uma reportagem do Jornal Nacional com destaque para problemas nas emendas individuais, citando a avaliação de critérios de relevância e transparência nas emendas impositivas.

A pergunta é legítima. O problema é a resposta.

O estudo citado na reportagem não está disponível para consulta pública no site do Movimento Orçamento Bem Gasto. Não é possível verificar sua metodologia, seus critérios de relevância ou suas fontes. Um estudo que não pode ser replicado, auditado ou refutado não deveria ser a base de decisões com impacto nacional.

E fica a pergunta sem resposta: como medir a relevância de uma emenda parlamentar? O que parece inócuo em um escritório em Brasília pode representar um alento concreto para populações do interior do Brasil. Quem define essa régua? Com base em quê?

Transparência não é uma exigência que vale só para o parlamentar. Vale também para quem produz os estudos que chegam ao Supremo Tribunal Federal.


61.370 mandatos sem cadeira à mesa

Essa reportagem tornou-se o principal subsídio para uma Audiência de Contextualização no STF, marcada para hoje, 13 de maio de 2026, no âmbito da ADPF 854.

O objetivo declarado é promover um debate amplo. Mas, mais uma vez, deputados estaduais e vereadores não foram convidados. O mesmo padrão já havia ocorrido na audiência pública de 27 de junho de 2025, quando a ADPF ainda tratava apenas de emendas federais, e ainda assim houve fala de representante de Poder Executivo estadual, mas nenhuma representação do Legislativo subnacional.

Os números precisam ser ditos em voz alta:

60.311 vereadores eleitos nas Câmaras Municipais de todos os 5.569 municípios brasileiros. 1.059 deputados estaduais distribuídos pelas Assembleias Legislativas.

São mais de 61 mil mandatos, escolhidos pelo voto direto da população brasileira, que exercem função alocativa sobre recursos públicos todos os dias. Um debate com consequências para cada um desses municípios e estados fica restrito a representações federais, como se o orçamento público fosse assunto apenas de Brasília.

Não é.


A convocação

Este texto é um manifesto e uma convocação.

Deputados estaduais e vereadores: a prerrogativa que está em discussão hoje é a de vocês. A função de alocar recursos públicos segundo as demandas reais das comunidades que vocês representam não é um privilégio, é um mandato democrático. E ele precisa ser defendido com transparência, com dados e com presença.

O debate qualificado sobre emendas parlamentares é necessário e urgente. Mas debate qualificado sem a participação de quem mais utiliza esse instrumento não é debate, é sentença.

Exijam um lugar à mesa. O orçamento público é de todos. A discussão sobre ele também precisa ser.


A Quinze por Dia acompanhará os desdobramentos da audiência de hoje. Compartilhe este texto com deputados estaduais, vereadores e assessores parlamentares que precisam conhecer o que está em jogo.

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