Connect with us

ARTIGOS & OPINIÕES

Queijo, cheese e democracia: Por que a Ordem do Dia do Congresso é um assunto seu

Publicado em

Uma newsletter com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins.


Todos os dias, cerca de 15 novas leis são publicadas no Brasil. A Quinze por Dia existe para explicar por que isso acontece e o que isso diz sobre o nosso processo legislativo e a nossa política.

Qual é a verdadeira importância de aprender outra língua hoje?

Aplicativos de videochamada já dublam as pessoas em tempo real. Você provavelmente leu algum texto hoje traduzido por IA (sem perceber inclusive). O peixe-babel de Douglas Adams, aquela criatura que, colocada no ouvido, permitia entender qualquer língua, parece cada vez menos ficção.

Para quê precisaríamos aprender outras línguas?

A resposta pode estar numa ideia que encontrei em Marilena Chauí ainda no primeiro ano da faculdade: as palavras têm gosto.

Fromagecheese e queijo significam a mesma coisa, mas cada uma dessas palavras evoca imagens distintas. A palavra francesa convoca aquele brie cremoso, a inglesa, um cheddar derretido e queijo?

Queijo é aquele minas branquinho de manhã cedo. Uma língua estrangeira nos força a pensar por caminhos que o português não seguiu e isso, muitas vezes, nos ajuda a entender melhor o nosso próprio idioma.

Foi pensando nisso, no gosto das palavras, que me peguei perguntando: como seria “Ordem do Dia” em inglês?

Mas antes: você sabe o que é Ordem do Dia?

O termo não é exclusivo do legislativo, já que no Exército também existe uma “Ordem do Dia”, o que leva muita gente a associá-la a uma lista de comandos e prioridades.

No legislativo, porém, a Ordem do Dia é o momento da sessão em que as propostas são discutidas e votadas. É também o documento que anuncia quais projetos têm previsão de apreciação, conhecido também como a pauta ou o avulso.

Aí entra a versão em inglês: Order of Business, literalmente, a ordem dos negócios. Não uma sequência de comandos, mas um roteiro de como os trabalhos se organizarão. O idioma já revela a concepção de um processo coletivo, não necessariamente uma hierarquia de ordens.

E essa diferença importa mais do que parece.

A organização dos trabalhos legislativos deixou de ser um assunto interno. Num momento em que o Legislativo é cada vez mais transparente e observado, parlamentares, assessores e cidadãos precisam saber de antemão o que será votado. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de resolução que estabelece a obrigatoriedade de divulgação das pautas do Plenário com pelo menos 24 horas de antecedência.

Para muitas casas legislativas isso já é regra. Para outras, essa pode ser uma inovação mais transformadora do que qualquer aplicação de inteligência artificial.

A justificativa da proposta é direta: A previsibilidade da pauta favorece e amplia as condições de transparência e participação no processo legislativo. Para a sociedade civil organizada que acompanha os trabalhos da Câmara, a antecedência permite também uma participação mais informada e consistente desses grupos.

Porque no fundo, a falta de previsibilidade não afeta a todos da mesma forma. Quem tem estrutura e recursos consegue acompanhar a pauta em tempo real. Quem não tem, o cidadão comum, a ONG pequena, o empresário local, enfim, quem está fora de Brasília fica de fora.

O regimento interno não é assunto interno.

As regras que organizam os trabalhos legislativos determinam quem consegue participar da democracia de verdade e quem apenas assiste. Segurança jurídica e previsibilidade não são obstáculos à dinâmica política: são a gramática mínima de uma democracia que se leva a sério.

Assim como o gosto das palavras revela como cada povo concebe o mundo, a forma como um parlamento organiza sua Ordem do Dia revela como concebe o povo.


Avisos e proclames



Vale o Clique

Sérgio Abranches 18d
A crise do presidencialismo de coalizão: notas Recentemente para uma breve apresentação sobre a conjuntura, decidi falar sobre a crise do presidencialismo de coalizão. No segundo semestre sairá a segunda edição revista de meu livro Presidencialismo de coalizão: Raízes e trajetória do modelo político brasileiro, pela Companhia das Letras. Nele a analiso mais detidamente a crise. Ela começa, em visão retrospectiva mais…

Instagram

Vizinhança

Adriano Codato
Em breve publicarei um livro intitulado Brasil no palanque: a geografia das Diretas Já, escrito com Angela Moreira, historiadora da UFF. O livro nasceu de uma encomenda do projeto de criação do Museu da Democracia, em Curitiba. Nosso livro reconstrói o movimento social a favor das eleições diretas para presidente da República no Brasil estado por estado…
18 days ago · 6 likes · Adriano Codato
O Abertinho
Existe no Brasil um livro que é, ao mesmo tempo, um dos maiores romances do século XX e o único registro cronológico preciso de um ciclo histórico que a historiografia não datou. O livro é Grande sertão: veredas. A hipótese deste ensaio é que os dois fatos se sustentam mutuamente, e que separá-los empobrece um e outro…
2 months ago · 34 likes · 8 comments · O Abertinho
FELIPE RECONDO
A superexposição do STF nas transmissões ao vivo da TV Justiça é hoje apontada como responsável pelo vedetismo de ministros e pela politização excessiva da Corte…
12 days ago · 3 likes · FELIPE RECONDO
Blog do Thiago Süssekind
Mais de seis meses após a megaoperação policial de 28 de outubro, que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, todas as favelas atingidas pela ação do Governo do Es…
21 days ago · 7 likes · 7 comments · Thiago Süssekind
Projeto Brief
Há pouco mais de um mês no ar, o https://observatoriomulheres.ininterrupta.com/ mapeia, classifica e dá nome ao trabalho legislativo de cada deputado federal a favor das mulheres no Brasil. O Observatório das Mulheres foi construído em uma semana por uma pessoa só, a comunicadora…
20 days ago · 2 likes · 1 comment · Projeto Brief and Ana Freitas
Lucas Leite – Política mundial
O pessimismo sobre o Brasil virou quase um reflexo automático. Falar do país é, quase sempre, falar de crise, de retrocesso, de mais um indicador que piorou. Essa leitura tem suas razões, e não pretendo descartá-la. Mas existe um problema sério quando ela se torna tão absoluta que passa a funcionar como um filtro que bloqueia qualquer dado que aponte na…
12 days ago · 11 likes · 3 comments · Lucas Leite – Política mundial
Radar Econômico
A forte expansão do crédito – especialmente para pessoa física – e uma produção agrícola recorde garantiram um bom desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo acima das expectativas do mercado financeiro. Com isso, o Brasil voltou a ocupar a 10ª. posição entre as maiores economias do mundo com PIB…
7 days ago · 1 like · Alaor Barbosa

Quinze por Dia, ou simplesmente QPD, é uma newsletter quinzenal com histórias, pensamentos e indicações sobre temas ligados ao Poder Legislativo, política e afins, por Gabriel Lucas Scardini Barros. Estou à disposição para conversar no Instagram @gabriel_lucas. Caso tenha recebido esse e-mail de alguém ou chegou pelo navegador, siga esse link para assinar.

Se você gostou do QPD – Quinze por Dia, que tal compartilhar?

Share

Comentários Facebook

ARTIGOS & OPINIÕES

A floresta que nasce depois não substitui a floresta perdida

Published

on

Por Marcelo Caetano Vacchiano*

Mato Grosso ocupa uma posição estratégica no debate ambiental brasileiro. É um dos maiores produtores de alimentos do país, abriga três biomas — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e convive diariamente com o desafio de compatibilizar produção, conservação, regularização ambiental e desenvolvimento econômico. Por isso, qualquer discussão séria sobre política ambiental no Estado precisa partir de uma pergunta simples, mas decisiva: é possível compensar, no futuro, a perda da vegetação nativa madura destruída no presente?Um estudo publicado na revista científica Global Change Biology, intitulado Secondary forests offset less than 10% of deforestation-mediated carbon emissions in the Brazilian Amazon, ajuda a responder essa questão.

Os pesquisadores analisaram, com base em dados do MapBiomas, o papel das florestas secundárias na Amazônia brasileira entre 1985 e 2017. Florestas secundárias são aquelas que surgem após o desmatamento e posterior abandono da área, ou seja, são áreas em processo de regeneração depois da perda da floresta original.A conclusão é contundente: apesar de sua importância ecológica, as florestas secundárias compensaram menos de 10% das emissões de carbono provocadas pelo desmatamento de florestas primárias na Amazônia brasileira no período analisado. Em 2017, havia aproximadamente 129 mil km² de florestas secundárias na Amazônia brasileira, área expressiva, quase do tamanho de alguns países europeus.

Ainda assim, todo esse estoque em regeneração foi insuficiente para compensar a maior parte das emissões geradas pela derrubada de florestas antigas.Esse dado precisa ser compreendido em sua real dimensão. A floresta que nasce depois tem valor. Ela captura carbono, recupera parte da biodiversidade, protege o solo, contribui para o ciclo da água e pode recompor paisagens degradadas. No entanto, ela não substitui, em igualdade de condições, uma floresta madura. Uma floresta primária concentra décadas ou séculos de complexidade ecológica: árvores de grande porte, interações biológicas consolidadas, banco genético, estabilidade climática local, fauna associada, solo estruturado e serviços ecossistêmicos acumulados ao longo do tempo.O estudo mostra ainda outro problema: grande parte das florestas secundárias é muito jovem e instável.

Muitas são novamente derrubadas antes de alcançar maturidade ecológica. Ou seja, a regeneração existe, mas frequentemente é interrompida. Isso reduz sua capacidade de armazenar carbono e compromete sua função ambiental. Em outras palavras: não basta deixar nascer.

É preciso proteger, monitorar e garantir tempo ecológico para que a recuperação aconteça.para Mato Grosso, as implicações são evidentes. A primeira delas é que a política ambiental não pode tratar a regeneração futura como autorização implícita para o desmatamento presente.

A ideia de que “depois recupera” é tecnicamente frágil e ambientalmente perigosa. A ciência demonstra que a recuperação é lenta, incerta e incompleta, sobretudo quando comparada à perda imediata de vegetação nativa madura.A segunda implicação é que o Estado precisa fortalecer políticas de desmatamento evitado.

Em muitos casos, impedir a conversão de uma área nativa íntegra produz ganho ambiental maior, mais rápido e mais seguro do que apostar exclusivamente na recomposição de áreas altamente degradadas. Isso não significa abandonar a restauração. Significa reconhecer que conservar o que ainda existe é, em regra, mais eficiente do que tentar reconstruir, depois, aquilo que foi destruído.A terceira consequência diz respeito à compensação ambiental e à regularização de passivos.

Mato Grosso possui milhares de imóveis rurais em processo de regularização ambiental, especialmente no âmbito do Cadastro Ambiental Rural e dos programas de recomposição de reserva legal e áreas protegidas. Nesses processos, é fundamental que a compensação observe critérios de equivalência ecológica real, e não apenas equivalência matemática de hectares. Um hectare de floresta madura não pode ser automaticamente equiparado a um hectare de vegetação jovem em regeneração, como se ambos prestassem os mesmos serviços ambientais.A quarta implicação é econômica. A conservação de vegetação nativa não deve ser vista como obstáculo ao desenvolvimento, mas como ativo estratégico. A produção agropecuária mato-grossense depende de estabilidade climática, disponibilidade hídrica, regularidade de chuvas, conservação do solo e previsibilidade ambiental.

O avanço desordenado sobre áreas nativas pode gerar ganhos privados imediatos, mas impõe custos coletivos elevados: aumento de temperatura, alteração do regime de chuvas, erosão, assoreamento, perda de polinizadores, conflitos fundiários e insegurança jurídica.A quinta consequência é institucional. A gestão ambiental estadual precisa combinar licenciamento, fiscalização, responsabilização, regularização e incentivos econômicos.

Não basta punir depois do dano. É preciso criar mecanismos para valorizar quem conserva, estimular a manutenção de excedentes de vegetação nativa, viabilizar instrumentos de pagamento por serviços ambientais, dar segurança jurídica à compensação bem feita e impedir que a reparação ambiental se transforme em mera formalidade documental.

O estudo também alerta para um ponto sensível: muitas florestas secundárias surgem justamente em áreas menos favoráveis à recuperação, com menor disponibilidade de água, maior sazonalidade climática e paisagens já bastante fragmentadas. Essa constatação dialoga diretamente com a realidade de Mato Grosso, onde a pressão sobre o território, as mudanças no uso do solo e os eventos climáticos extremos tornam a restauração ainda mais desafiadora.Daí a importância de uma política ambiental baseada em evidências científicas. O discurso simplista, seja de um lado, seja de outro, não resolve o problema. Nem toda área degradada é irrecuperável. Nem toda regeneração é ineficiente.

Nem toda compensação é inadequada. Mas também não é verdadeiro afirmar que qualquer área em regeneração substitui, sem perdas, uma vegetação nativa madura. A política pública precisa reconhecer essas diferenças.Mato Grosso tem condições de liderar uma agenda ambiental moderna, que una produção, conservação e inteligência territorial.

Para isso, precisa abandonar falsas equivalências. O Estado que mais produz também deve ser capaz de demonstrar que sabe conservar. A competitividade do agronegócio mato-grossense, cada vez mais, dependerá de rastreabilidade, conformidade ambiental, redução de emissões e proteção dos serviços ecossistêmicos que sustentam a própria produção.A principal lição do estudo é simples: a floresta secundária importa, mas a floresta primária é insubstituível.

Recuperar é necessário. Compensar pode ser legítimo. Restaurar é urgente. Mas evitar o desmatamento continua sendo a forma mais eficiente, mais barata e mais segura de proteger o clima, a biodiversidade, a água e o futuro econômico de Mato Grosso.A política ambiental do século XXI não pode se contentar em administrar passivos. Ela precisa evitar que novos passivos sejam criados. E isso começa pelo reconhecimento de que há perdas ambientais que nenhuma regeneração futura consegue compensar plenamente.

 

* Caetano Vacchiano é Promotor de Justiça e atua na área ambiental há mais de 20 anos em Mato Grosso e Diretor da Fundação Escola Superior do Ministério Público. Mestre em Geografia (UFMT) e Doutor em Ciências Ambientais (UNEMAT).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários Facebook
Continue Reading

ARTIGOS & OPINIÕES

O infarto pode começar no intestino?

Published

on

Por Dr. Max Wagner de Lima e Maristela Luft*

A descoberta científica que pode mudar a forma como entendemos o coração:

Durante muitos anos, acreditamos que o infarto começava apenas nas artérias do coração.Mas a ciência acaba de mostrar algo muito mais profundo:O intestino pode influenciar diretamente a gravidade de um infarto. E isso muda completamente a forma como enxergamos prevenção cardiovascular.

O QUE A CIÊNCIA DESCOBRIU?

Um estudo publicado na revista científica Cardiovascular Research mostrou que, após um infarto, ocorre uma comunicação intensa entre coração, intestino, microbiota e sistema imunológico.
Os pesquisadores observaram que:
o infarto altera a microbiota intestinal;
aumenta a permeabilidade do intestino;
bactérias e toxinas intestinais conseguem “vazar” para a circulação;
isso amplifica a inflamação do organismo;
e piora a lesão cardíaca.
Em outras palavras:O coração sofre e o intestino responde. Mas essa resposta pode aumentar ainda mais o dano cardíaco.

O “VAZAMENTO INTESTINAL” PODE AGRAVAR O INFARTO

Os pesquisadores identificaram aumento de uma substância chamada LPS (lipopolissacarídeo),
derivada de bactérias intestinais, no sangue de pacientes que tiveram infarto.
E o mais impressionante quanto maior o nível dessas toxinas:
maior o tamanho do infarto;
maior a inflamação;
pior a função do coração.
Isso reforça algo que a medicina cardiometabólica moderna já suspeitava:
O coração não funciona isolado ele conversa o tempo inteiro com o intestino, metabolismo, cérebro e sistema imunológico.

O QUE ISSO MUDA NA PRÁTICA?

Muda tudo. Porque prevenção cardiovascular não pode mais ser baseada apenas em:
colesterol;
pressão arterial;
remédios.
Hoje sabemos que:
inflamação intestinal,
microbiota desequilibrada,
resistência insulínica,
obesidade visceral,
alimentação ultraprocessada,
privação de sono,
estresse crônico
Também participam do risco cardiovascular. O cardiometabolismo moderno deixou de olhar apenas para “a doença”. Agora olhamos para o terreno biológico que constrói a doença.

O INTESTINO É UM DOS CENTROS DA INFLAMAÇÃO
O estudo mostrou que, após o infarto, ocorre aumento de bactérias inflamatórias no intestino e piora da barreira intestinal. Isso favorece:
inflamação sistêmica;
ativação exagerada do sistema imunológico;
maior dano ao músculo cardíaco.
É exatamente por isso que:
obesidade,
diabetes,
má alimentação,
sedentarismo,
sono ruim
Estão tão conectados ao risco cardiovascular.

A NOVA ERA DA PREVENÇÃO
A grande mensagem deste estudo é clara: O futuro da cardiologia será cada vez mais
cardiometabólico. Não basta apenas “desentupir artérias”.
Precisamos:
modular inflamação;
melhorar microbiota;
preservar massa muscular;
controlar glicose;
reduzir gordura visceral;
melhorar sono;
aumentar capacidade física;
restaurar metabolismo.
Porque o verdadeiro tratamento começa antes do infarto acontecer.

CONCLUSÃO

Seu intestino pode estar influenciando silenciosamente a saúde do seu coração todos os dias.
E talvez uma das maiores revoluções da prevenção cardiovascular moderna seja entender que:
saúde intestinal e saúde cardíaca estão profundamente conectadas.
Na medicina do futuro, prevenção não será apenas sobre remédios.
Será sobre Estratégia Metabólica.

*Dr. Max Wagner de Lima
Cardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
e
Maristela Luft
Nutricionista – CRN 16431

Comentários Facebook
Continue Reading

Segurança

MT

Brasil

Economia & Finanças

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2018 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262