O Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde (Siaps) recebeu uma atualização nos relatórios de acesso público ao módulo Vigilância de Práticas Assistenciais. Agora, a funcionalidade permite refinar as consultas por meio de filtros relacionados ao perfil do território e da população, promovendo a transparência dos dados. Entre as variáveis disponíveis estão raça/cor, nacionalidade, escolaridade, pertencimento a povos ou comunidades tradicionais e condição de pessoa com deficiência. A mudança foi divulgada para gestores durante o Congresso do Conasems, em Porto Alegre/RS.
A ferramenta reúne informações sobre os atendimentos realizados na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), com acesso a dados utilizados para o monitoramento e a análise das ações desenvolvidas nos serviços. O acesso é feito pelo e-Gestor APS, na área Relatórios APS, selecionando a opção Siaps. Os dados estão organizados conforme os principais modelos de informação da APS:
Atendimentos individuais;
Atendimentos odontológicos;
Procedimentos;
Visitas domiciliares;
Atividades coletivas.
Como funciona?
Ao realizar as pesquisas, o usuário pode selecionar o tipo de prática assistencial e escolher entre visualizar a quantidade de pessoas atendidas ou o número de atendimentos realizados. Os resultados podem ser organizados por diferentes recortes de informação, como período de atendimento e outros critérios disponíveis na plataforma.
Após definir os critérios de busca, os resultados podem ser consultados diretamente na plataforma ou exportados em formato de relatório. Os arquivos gerados reproduzem os parâmetros selecionados pelo usuário durante a pesquisa. A documentação técnica do módulo está disponível no próprio Siaps e apresenta orientações sobre a utilização da ferramenta e a interpretação das informações disponibilizadas.
O Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) está com inscrições abertas para o processo seletivo da turma 2026 do Mestrado Profissional em Avaliação em Saúde. O curso é oferecido em parceria com o Ministério da Saúde e tem como objetivo qualificar profissionais para atuar na avaliação de programas e serviços de saúde, contribuindo para o fortalecimento da gestão e da qualidade da Atenção Primária à Saúde (APS).
As inscrições podem ser realizadas exclusivamente pela internet, entre 22 de junho e 20 de agosto de 2026. O processo seletivo oferece 25 vagas e é voltado para profissionais de nível superior vinculados à Atenção Primária à Saúde de Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde da Região Nordeste. Para participar, o candidato deve comprovar o vínculo com a APS por meio de declaração institucional emitida pela secretaria ou órgão de origem.
As etapas da seleção serão realizadas presencialmente nas dependências do IMIP, em Recife (PE). A primeira fase consiste em prova escrita de conhecimentos específicos e compreensão de língua inglesa. Os candidatos aprovados seguem para análise de currículo, avaliação do anteprojeto de pesquisa e entrevista.
As atividades acadêmicas do mestrado também serão realizadas presencialmente no IMIP, em Recife, com início das aulas previsto para 1º de outubro de 2026. O curso tem duração máxima de 24 meses, é reconhecido pela Capes com conceito 4.
Os módulos obrigatórios do mestrado são: Políticas, Programas e Gestão em Saúde; Avaliação em Saúde: concepções e métodos; e Seminários de Elaboração de Projetos de Pesquisa. Já as disciplinas optativas incluem: Métodos Epidemiológicos Aplicados à Avaliação de Programas de Saúde; Modelagem e Elaboração de Painéis de Monitoramento de Indicadores; Qualidade nas Ações de Saúde, Auditoria e Acreditação; Métodos de Pesquisa Qualitativa; e Oficina de Elaboração de Produtos Técnicos.
O governo federal deverá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o impacto sobre os cofres públicos da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, disse nesta terça-feira (14) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o governo não acionaria a Justiça se a PEC trouxesse uma fonte de compensação fiscal.
ABr – O ministro argumentou que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exigem que a criação de novos benefícios previdenciários seja acompanhada da indicação de receitas capazes de compensar o impacto nas contas públicas.Caso isso não ocorra, o governo estuda judicializar o tema.
“Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao STF”, afirmou Durigan, após retornar de reunião na Casa Civil.
Impacto bilionário
De acordo com o ministro, a proposta representa uma pauta-bomba e poderá gerar impacto atuarial entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões ao longo dos próximos dez anos, conforme diferentes projeções apresentadas pelo governo.
Os cálculos consideram a redução das contribuições previdenciárias e a antecipação do pagamento de benefícios decorrente das novas regras de aposentadoria. Segundo a pasta, o custo poderá ser ainda maior, já que as estimativas não incluem eventual revisão de aposentadorias já concedidas.
Apelo ao Congresso
Durigan afirmou que tem mantido conversas com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para defender que propostas com elevado impacto fiscal observem as exigências da legislação e do arcabouço fiscal.
Segundo o ministro, o objetivo é preservar o equilíbrio das contas públicas alcançado pela equipe econômica.
“Tenho reiterado aos dois presidentes o compromisso com o futuro do país, para que a gente não comprometa o equilíbrio fiscal com esse tipo de medida de alto impacto”, declarou.
Apesar das manifestações do governo, a PEC foi aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado nesta noite.
O que muda
A proposta cria um regime previdenciário diferenciado para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. Segundo os parlamentares, as condições específicas de trabalho desses profissionais, que atuam em visitas domiciliares, prevenção de doenças e ações de vigilância em saúde, justificariam uma aposentadoria antecipada.
Pelas regras permanentes previstas na PEC, os profissionais poderão se aposentar após 25 anos de efetivo exercício na função e de contribuição previdenciária, desde que cumpram idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.
O texto também estabelece regras de transição, que permitem aposentadorias em idades inferiores em determinadas situações, além de estender o benefício aos agentes indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.
Situação atual
Atualmente, após a Reforma da Previdência de 2019, os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias seguem as regras gerais da Previdência Social. A concessão de aposentadoria especial depende da comprovação de exposição permanente a agentes nocivos e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação.
O governo acompanhava a redação final do texto para decidir se recorreria ao STF. O Senado aprovou o mesmo texto da Câmara dos Deputados, que não incluiu previsão de compensação financeira para os impactos fiscais.